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O VAZIO EXISTENCIAL NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA – PARTE I

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Por Itamargarethe Corrêa Lima Jornalista, radialista e advogada. Pós-graduada em Direito Tributário, Direito Penal e Processo Penal. Pós-graduanda em Direito Civil, Processo Civil e Docência do Ensino Superior.

Neste primeiro encontro de 2026, que certamente se repetirá com maior frequência, inaugura-se uma série de reflexões voltadas a temas urgentes da condição humana. Entre eles, destaca-se o vazio existencial que marca a sociedade contemporânea, evidenciando que saúde mental, ética e consciência não podem ser relegadas a um plano secundário. Ao contrário, tais questões precisam ocupar o centro do debate público e social, sob pena de aprofundar-se a crise de sentido que atravessa o nosso tempo.

Nesse contexto, é oportuno esclarecer que este artigo tem como ponto de partida a leitura de um texto escrito por Eurípedes Barsanulfo, educador, pensador, jornalista e médium do final do século XIX e início do século XX, cuja trajetória intelectual esteve voltada à formação integral do ser humano, à consciência moral e ao compromisso ético com a vida em sociedade, e que mesmo situado em outro tempo histórico, seu pensamento revela notável atualidade diante dos dilemas contemporâneos.

A partir dessa inspiração, desenvolvi uma análise conectada à realidade atual, marcada por avanços tecnológicos expressivos e, paradoxalmente, por um crescente esvaziamento de sentido.

A sociedade contemporânea, imersa na abundância informacional e no progresso acelerado, deveria, em tese, ampliar horizontes de liberdade e realização pessoal. Todavia, observa-se um contrassenso evidente, digo, o acúmulo de dados não tem produzido significado, ao revés, tem aprofundado um vazio persistente.

A mente moderna se encontra submetida a estímulos contínuos, exigências de desempenho e comparações sociais permanentes. Esse ambiente, por sua vez, favorece o desenvolvimento do estresse crônico, da ansiedade e da depressão, fenômenos que se expandem de forma silenciosa no cotidiano social.

Já se advertia, no campo filosófico e sociológico, que a modernidade assumiria um caráter fluido e efêmero, dissolvendo valores, vínculos e certezas. Nesse cenário, o conhecimento se converte em mercadoria, enquanto o ser humano passa a ser tratado como meio, e não como fim.

A hiperinformação e a inteligência artificial, embora representem avanços relevantes, frequentemente substituem a interioridade pelo excesso externo. O indivíduo amplia seu domínio sobre o mundo, entretanto, perde a capacidade de conhecer a si mesmo. Vive conectado a tudo, exceto à própria consciência.

Sob a ótica da neurociência, a depressão relaciona-se a disfunções nos sistemas de neurotransmissores, como serotonina, dopamina e noradrenalina, além de alterações hormonais e processos inflamatórios neurais. Ainda assim, o cérebro não pode ser compreendido apenas como um órgão biológico isolado, uma vez que reflete experiências emocionais, sociais e morais acumuladas ao longo da vida.

Estudos sobre neuroplasticidade demonstram que pensamentos, sensações e hábitos mentais moldam estruturalmente o cérebro. Emoções como culpa, inveja, ressentimento e vaidade, frequentemente identificadas como males morais, produzem padrões persistentes de estresse, hiperativam a amígdala cerebral, desregulam o sistema límbico e comprometem o funcionamento do córtex pré-frontal, área ligada à razão, à empatia e ao discernimento ético.

Neste momento, foi possível delinear os fundamentos dessa discussão, evidenciando como o excesso de estímulos, a perda de interioridade e o afastamento de valores contribuem para o vazio existencial. Na próxima semana, será dada continuidade ao tema, aprofundando-se a relação entre moralidade, saúde mental e a busca por sentido na sociedade contemporânea. Até breve!!.

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