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Pedrinho abre o jogo sobre SAF, planejamento para 2026 e mais

by admin

Presidente do Vasco, Pedrinho falou em entrevista exclusiva à ESPN. E o mandatário abriu o jogo sobre os principais temas que rondam pelos bastidores do Cruz-maltino, desde a possível venda da SAF do clube para um novo investidor ao assédio do exterior pela joia Rayan, inclusive com uma oferta do Zenit recusada recentemente.

Pedrinho também falou sobre a venda do potencial construtivo de São Januário, etapa que ainda falta para que o início das obras no estádio possam começar e admitiu a necessidade de mais um empréstimo para manter o planejamento em dia no clube.

O mandatário ainda explicou detalhadamente o planejamento do Vasco para 2026 e também o processo de redução da folha salarial do elenco profissional, mas sem interferir na qualidade do plantel.

Confira abaixo as respostas de Pedrinho em entrevista exclusiva à ESPN.

Planejamento para 2026

“O planejamento acontece de uma forma muito antecipada, não é só no término da temporada anterior, já vem durante o ano de 2025. Na questão esportiva, era a manutenção de alguns atletas, principalmente da equipe principal e do Rayan, que é uma joia do clube, é difícil segurar um jogador desse porte, com esse potencial, tão jovem, com um mercado tão desproporcional em termos financeiros, que é principalmente a Europa. De forma pontual, a contratação de alguns jogadores, para a gente fortalecer não só a equipe principal, como o elenco. Em alguns momentos a gente viu a necessidade de trocas dentro das partidas para dar um elenco mais robusto para o Fernando Diniz. Na questão administrativa, muita coisa importante, a recuperação judicial, a estrutura do CT, novo patrocinador”

Renovação com Rayan e assédio da Europa

“A gente valoriza o atleta em termos contratuais, não só para aumentar a multa, mas também para dar um salário compatível com o valor do atleta no mercado internacional. Esse é um dos mecanismos que a gente tem para segurar o Rayan, não é fácil, mas por ele ser cria de São Januário, eu joguei com o pai do Rayan na base. Ele sabe da estrutura que está sendo feita e São Januário, dentro do clube como instituição, do retorno de credibilidade. De tudo o que está acontecendo de transformação, e uma transformação verdadeira. Com isso a gente conseguiu recusar uma proposta, que não é do time mais potente da Europa, mas era uma proposta muito grande, a gente conseguiu convencer o Rayan de permanecer nesse primeiro período. É o Zenit (da Rússia). É um assédio quase que diário pelo atleta, então tem toda uma conversa com empresários, com família do Rayan, para que a gente consiga tê-lo em São Januário o máximo de tempo possível, sendo uma missão quase que impossível”

Redução da folha salarial

“Esse é um processo mais duro. A avaliação de alguns comentaristas têm que ter um olhar diferente, alguns clubes estão um passo bem à frente porque todo o processo anterior já está estabelecido. Já têm um CT de primeiro mundo, todas as finanças equilibradas, então a avaliação para esses clubes é o campo, ela deixa de ser estrutura, parte financeira, então o início do comentário para esses clubes é o campo. Na minha visão, o campo nesse momento é o fim. Eu preciso organizar o que vem antes do campo, que é a estrutura de CT, pagar as dívidas do clube e aí sim chegar no campo. Mas o futebol, a paixão dos torcedores e os debates no programas não podem ter como pauta só a organização, isso não é o que interessa para o torcedor, o torcedor quer título, quer vitória. Só que no caso do Vasco, pelo processo que estamos passando, é um processo que a avaliação tem que ser também direcionada para o que está sendo feito em termos de estrutura do clube. Muito se falava, durante muitos e muitos anos, em reestruturação, era uma palavra muito usada por todos. Agora, efetivamente, estamos reestruturando o clube financeiramente e também fisicamente, com a questão do CT. Mas de forma dura, atacando as dívidas, sobre o pagamento das dívidas, e com isso temos que fazer alguns equilíbrios financeiros, como diminuir um pouquinho a folha (salarial), mas não perder a qualidade do elenco, o que interessa é o campo. A gente tem que ser criativo, mas para mim é estratégia, de de repente, um ou outro, a gente consegue efetuar uma compra, mas outros jogadores a gente tenta trazer de graça, por empréstimo de graça, com opção de compra. Isso às vezes vai erras, às vezes vai acertar. Um clube no nosso momento, se a gente contratar três jogadores e por acaso não derem certo, fica muito evidente. Tem clube que contrata 10 jogadores e erra em sete, mas acertaram em três, então os que erraram passam batidos. A gente fica muito visado pelos jogadores que não deram certo, como tem pouco recurso, você tem que ser certeiro. A gente foi. Têm jogadores com muito potencial, por exemplo o Matheus França, que ainda não deu uma resposta e às vezes a torcida sente, às vezes ele tem uma pressão e uma cobrança. O Crystal Palace não iria pagar o que pagou por se ele, se ele não fosse o jogador que é. Mas ele vem de uma lesão, passou por um período sem jogar, está se readaptando ao futebol brasileiro, e a expectativa é que ele dê uma resposta. A gente precisa da confiança do torcedor e do próprio jogador nele mesmo. Um processo de equilíbrio da instituição”

Renovação com Philippe Coutinho

“Ainda não conversamos esse ano, eu tenho uma relação muito boa com o representante do Coutinho, com a família do Coutinho. Já sou muito grato lá atrás ao Coutinho, abriu mão de muita coisa para vir para o Vasco e nós fizemos um esforço financeiro muito grande para que ele viesse realmente para o Vasco, e o desejo é que ele continue com a gente. O Coutinho não é uma conversa simples, se trata de um jogador grandioso, mas é uma conversa de um trato mais tranquilo, acho que vamos ter essa conversa para que o Coutinho permaneça em São Januário”

A-Cap recusou proposta de R$ 150 milhões do Vasco?

“Não, isso é mentira. A questão é muito simples, a A-Cap, pela lei americana, não pode ser administradora de nenhum clube de futebol. E como ela era uma das maiores credoras da 777 (Partners), quando ela foi cobrar a 777 pelo dinheiro que tinha emprestado, a 777 não tinha o dinheiro, entregou as ações. Com as ações, ela tem que se desfazer porque pela lei americana ela não pode administrar. Com o possível investidor, para mim essa negociação é simples de acontecer, os valores que 777 aportou dos 31% (das ações do Vasco), esse valor já é menor do que a dívida causada por eles. A A-Cap também se prejudicou, não fez parte do processo da 777, mas essa negociação, dentro da arbitragem, com um investidor, eu acho que é muito tranquila de acontecer, acho que isso não é um ponto que atrapalha em nada, acho que vai acontecer com naturalidade quando o investidor entrar, quando ele chegar, para que o Vasco ande sem problema jurídico nenhum”

Vasco já tem novo investidor para a SAF?

“Eu tenho NDA assinado e não posso falar quem são os investidores. O que posso falar é que, de todos os NDA’s assinados lá atrás, tem um NDA com um dos investidores que está em um processo mais adiantado, muito mais adiantado do que todos os outros. Eu espero que aconteça. Por experiência e vivência dessa cadeira que me traz tanta responsabilidade, a gente só vai falar quando tudo estiver ok. Espero que isso aconteça, a gente vai passar no Conselho Deliberativo, ter aprovação no Conselho do clube, toda a transparência que eu sempre exigi com o contrato anterior da 777, que seja com o novo investidor, que as pessoas tenham ciência do que vai ser o contrato. E o clube, que é o que a gente deseja, tenha um novo investidor, que o novo investidor consiga fazer com que o clube ande sem nenhum problema. É bom ressaltar que tem alguns exemplos de SAF que não são de sucesso, e a gente cobra tanto o profissionalismo, e muitas SAF’s não foram profissionais. Inclusive quando eu entro aqui, é salário atrasado, compromissos que foram apalavrados e não foram colocados em contrato eu honrei, com relação a passagens de jogadores que são de fora do país, que foi acordado com eles e não foi colocado no contrato, eu honrei o compromisso. Um cara que vem da associação é que teve atitudes profissionais e que vem profissionalizando o clube ainda mais. O desejo pelo investidor é muito cuidadoso, é um desejo grande, não só meu, mas de todo o grupo e também dos torcedores. Mas muito cuidadoso para que seja um investidor muito responsável com a instituição”

Quando o Vasco terá um novo investidor para a SAF?

“É difícil de cravar. São conversas boas, conversas bem adiantadas com relação aos outros NDA’s assinados e pararam bem no início, não tiveram segmento para outras etapas. Lá atrás, o (Evangelos) Marinakis só simulou, assinou o NDA, mas não andou em nada, acho que foi muito mais jogar para a galera do que realmente ter intenção de investir no Vasco, e não foram cumprindo etapas para a gente ir passando de fase. Esse investidor agora, é um investidor que já passou a primeira, segunda, terceira, quarta fases, e estamos esperando que as coisas aconteçam. Quer dizer que vai acontecer amanhã? Daqui a um mês? Quer dizer que não vá acontecer? Eu não posso afirmar. Quando acontecer, quando estiver assinado, aí a gente vai saber”

Homologação da Recuperação Judicial do Vasco

“A juíza homologou dia 21 de dezembro, a partir de agora, janeiro, eu já começo a fazer os pagamentos estabelecidos pelo plano de recuperação judicial aprovado, que vai girar na previsão de R$ 25 a R$ 30 milhões por ano, esses valores são dívidas do passado, não tem nenhuma relação com a atual gestão, mas interfere diretamente na receita operacional e custeio operacional. Eu, como presidente, além de gerar uma receita para o custeio do ano, eu tenho que gerar mais R$ 25 ou R$ 30 milhões, para poder fazer frente com essas dívidas do passado. É o processo duro que a gente fala, que muita gente não quer passar, e é difícil de passar mesmo, a gente vê os outros clubes investindo, contratando, contratando mais, uns com responsabilidade porque já estão em um nível de estrutura financeira equilibrada, outros por irresponsabilidades. Mas no meu caso, eu não vou ser irresponsável com a instituição, é difícil? É, porque eu tomo pancada para caramba porque as pessoas querem jogadores muito valiosos, mas eu não vou fazer isso com a instituição. Enquanto eu estiver presidente, eu não vou causar nenhum dano financeiro ao clube, pelo contrário. Muito se falou da recuperação judicial, mas foi aprovada por 97,7% dos credores. Que absurdo de plano é esse, se 97% dos credores aprovaram? E muitos credores que chiaram, que deram show, foram credores que quando tinha outra gestão, fizeram parte, não receberam um real, não cobraram, e agora eu estou disposto a pagar a dívida, realmente receber um deságio é ruim, por isso eu agradeço também aos credores a compreensão, entenderam que desse lado é alguém que quer pagar as contas. Para o Vasco sobreviver, o remédio é amargo mesmo, então não adianta eu sair contratando, gerar mais dívidas, que vai virar uma bola de neve. Eu preciso estancar, a gente estancou com a recuperação judicial, que todo mundo já sabe, que para entrar, eu, como presidente, tenho que botar os meus bens, eu me dispus a isso para demonstrar a correção e honestidade do processo que está sendo feito é doído, mas quando a ferida estiver curada, é o Vasco que só vai ter receita, e quem estiver daqui a algum tempo, que seja responsável para que o clube não volte a ter problemas financeiros como já teve”

Necessidade de novo empréstimo

“A gente precisa de mais um empréstimo, para ir equilibrando. Está tudo dentro do orçamento que foi planejado, e das receitas necessárias para a gente honrar os compromissos que a gente tem, com os atletas, com o clube, os pagamentos da recuperação judicial. Está tudo dentro do cronograma que a gente estabeleceu. Está dentro do planejamento que a gente fez que existiria à aprovação da recuperação judicial”

Venda do potencial construtivo de São Januário

“Lá atrás, logo quando eu entro, a gente tinha uma empresa que estava tudo certo para comprar mesmo, e foi aonde eu falei ‘não posso fazer mais do que eu fiz’. Estava tudo certo, só que ele não assinou, e partiu para um outro terreno de potencial construtivo, de uma outra área, e não quis mais esse. Agora, a questão é a seguinte: temos três investidores. Dois investidores com os documentos já trocados, mas não efetivaram a compra, mas são investidores para um metro quadrado menor. E o maior investidor, que seria para a maior parte do metro quadrado, ele está negociando com o terreno onde vai ser estabelecido o potencial construtivo, conversando com o dono do terreno. A minha função tem um teto, eu agradeço ao prefeito Eduardo Paes, é um cara que se empenhou e se empenha nisso, eu passei muito tempo com os vereadores para que as coisas evoluíssem, para termos o decreto. Mesmo não tendo força na negociação agora, porque não parte de mim, e sim do investidor com o dono do terreno, eu insisto, provoco, mas não posso botar uma arma na cabeça do dono do terreno para ele vender, e para o investidor comprar. Eu tenho que esperar esse processo, eu não tenho culpa nenhum nesse processo, é uma questão econômica, não só dos dois, mas do país, que demora para fazer esse trâmite. Mas o desejo é que isso aconteça e a gente faça a obra de São Januário, não tem como prever para você agora. Gostaria muito, mas eu sou muito verdadeiro e transparente, não depende mais de mim, depende da execução da compra e da negociação do investidor com o proprietário do terreno. Eu só vou fazer isso quando tiver o valor total do potencial construtivo. Vamos dizer que os dois investidores que são menores comprem e executem, eu posso até iniciar a obra, mais aí eu não vou ter o restante do dinheiro? Eu só vou fazer quando eu tiver o dinheiro completo. Eu consigo o dinheiro do potencial construtivo, e dentro disso também vou gerar novas receitas, com venda de camarote, cadeira cativa, para chegar nesse valor que teve um aumento por conta da inflação”

Confiança em Fernando Diniz

“Eu fui muito criticado no início por ter saído da comunicação falando uma coisa, e tendo atitudes diferentes da comunicação. É normal as pessoas falarem sobre isso, o que não é normal é colocarem o caráter em cima de um comportamento que eu tinha como comentarista e um comportamento como presidente, que são coisas completamente diferentes. Se eu voltasse para a comunicação, eu não mudaria nada do que eu falei, eu só acrescentaria. A questão de ter mandado treinadores embora ou contratado alguns treinadores, quando eu sento aqui e olho para o mercado, o mercado não me oferece aquilo que eu acredito no futebol, às vezes eu tenho que fazer um movimento que eu não posso ficar muito tempo sem treinador, até pela exigência e grandeza do clube. Às vezes você faz uma contratação contando que o treinador entregue aquilo que ele tem para entregar, e não o que eu gostaria que ele entregue. E dentro daquilo que alguns treinadores poderiam entregar, eles não entregaram, e com isso a saída. O Diniz estava no mercado e eu o trago. É normal o Vasco ganhar quatro jogos, o que não é normal é a gente não fazer pontos em sete jogos. Se você olhar dentro de uma normalidade, uma equipe como o Vasco, falando como time, temos um time bom, você não pontuar em sete rodadas, isso não existe. Dentro de uma normalidade, a gente pontuaria e brigaria mais em cima na tabela do Brasileiro. O Diniz é um cara excepcional, teve propostas maiores que a nossa, com jogadores de fama internacional desejando ele, ligando para ele para que ele fosse para o clube, e ele prontamente, quando a gente inicia a negociação, ele estaciona com todos os outros clubes, mesmo sabendo da dificuldade que a gente enfrentava, ele quis vir para o Vasco. Um cara de um respeito enorme, eu tenho muito respeito por ele e pelo trabalho dele, está ali pelo trabalho e competência dele, eu nunca fui amigo do Diniz, a primeira relação que eu tenho com o Diniz é agora. As pessoas acham que por que eu comentava, a gente era amigo. Ele está ali, independentemente do resultado, porque qualquer presidente mandaria embora um time com sete derrotas seguidas aqui no Brasil, mas eu confio nele, eu vejo o dia a dia dele, vejo o trabalho dele. É um cara que eu agradeço e, se Deus quiser, esse ano ele também vai merecer os elogios pela competência dele”

Vai concorrer à reeleição no Vasco?

“Eu não estou pensando nisso, tenho muito trabalho agora. A gente não para, eu não paro, a minha cabeça não para, a gente pensa em janela, em reestruturar o clube, em investidor, no patrocínio máster, material esportivo, estádio. Eu não tenho cabeça para isso agora, não é a minha prioridade, a minha prioridade é o Vasco. É fazer bem para o Vasco, trabalhar, trabalhar e trabalhar. Agora, no momento que eu for tomar essa decisão, obviamente que eu vou pesar tudo, desde família, importância para o clube, necessidade de estar na cadeira, isso tudo eu vou pesar e tomar a decisão na hora certa”

Parceria entre Vasco e Nike

“Foi um desejo muito grande da Nike. A gente sempre sonhou com a Nike, e não por questão de valor financeiro, mas para registro de grandeza. São dois gigantes se unindo e isso fortalece ainda mais a marca do Vasco com a nike na nossa camisa. Eu agradeço muito o esforço da Nike, tiveram um processo nas linhas de produção muito acelerado para poderem entregar já em 2026, dentro de uma normalidade, um contrato desse seria para entrar em vigor em 2027, até pela questão de produção, as fábricas da Nike estarem ocupadas, pela necessidade de ter antecedência na programação de produção, e isso deve gerar no início uma dificuldade de abastecimento, mas passando esse período, tudo vai ser normalizado. Isso tudo só vai acontecer pelo desejo da Nike de estar no Vasco, são sete anos de contrato. É uma parceria que muda o nível do Vasco dentro do cenário internacional, que é o desejo da Nike também”

Próximos jogos do Vasco:

Maricá (C): 15/01, 21h30 (de Brasília) – Campeonato Carioca

Nova Iguaçu (C): 18/01, 18h (de Brasília) – Campeonato Carioca

Flamengo (F): 21/01, 21h30 (de Brasília) – Campeonato Carioca

Créditos

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