×

Petrobras fecha acordo para importação de gás natural liquefeito dos EUA por duas décadas

Petrobras fecha acordo para importação de gás natural liquefeito dos EUA por duas décadas

Petrobras fecha acordo para importação de gás natural liquefeito dos EUA por duas décadas

NESTA EDIÇÃO. Petrobras vai importar GNL do Texas. 
 
Lula sanciona Redata. 
 
Investidores estrangeiros movimentam maioria das fusões e aquisições no setor de energia brasileiro, aponta levantamento. 
 
Geração de energia nuclear pode mais que triplicar até 2060 com boom da IA.

Ainda não é assinante? Inscreva-se aqui

EDIÇÃO APRESENTADA POR:

A Petrobras anunciou na noite de segunda-feira (14/9) um acordo de 20 anos com a Sempra Infrastructure, subsidiária da companhia Sempra, para a compra de 800 mil toneladas de gás natural liquefeito (GNL). 
 
O suprimento será a partir do Terminal de Liquefação de Port Arthur, no Texas (EUA), que deve se tornar o maior polo de exportação de GNL do mundo na próxima década. 

  • Em nota, a estatal afirmou que o objetivo, ao contratar volumes de longo prazo, é  reduzir a exposição à volatilidade do mercado spot, fortalecer a gestão de riscos do portfólio de gás e ampliar a capacidade de atender aos contratos de forma mais flexível e segura. 

Ainda em construção, o terminal Port Arthur será capaz de exportar 26 milhões de toneladas de GNL por ano quando estiver totalmente operacional, na próxima década. A Petrobras não detalhou quando iniciará as importações.  

O Brasil se prepara para um aumento na demanda por GNL nos próximos anos, após o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP) contratar 15 GW de termelétricas a gás natural em março. 

Mas o anúncio da Petrobras de que planeja ampliar as importações também chega em um momento em que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) debate o programa de desconcentração no mercado de gás brasileiro, o gas release, que tem como alvo justamente a redução da participação da estatal nesse segmento. 

E não é só no Brasil… A contratação de gás flexível está movimentando negócios no mundo todo. Na segunda (14), a petroleira malaia Petronas também fechou um acordo de longo prazo com a Metlen para o fornecimento de GNL para a Grécia. (Dow Jones/Valor)

Sanção do Redata. O presidente Lula (PT) sanciona, nesta terça-feira (15/9), a lei do programa de incentivo aos data centers, o Redata. A cerimônia no Palácio do Planalto está marcada para as 11h. 

  • A expectativa é que, junto com a sanção, seja assinado também o decreto com as primeiras regras do programa. Os olhares se voltam para a definição de quais fontes de energia serão contempladas na regulamentação, sobretudo para a inclusão (ou não) do gás natural.  

Opinião: Na regulamentação do regime especial para os datacenters, a segurança energética, a competitividade e a neutralidade tecnológica precisam prevalecer sobre a escolha prévia de fontes, garantindo metas ambientais claras e liberdade de escolha para o empreendedor, escreve Rafael Lamastra Jr., presidente do Conselho de Administração da Abegás.

E dos minerais críticos. Na quarta (16/9), Lula deverá sancionar também a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), criada pelo PL 2.780/2024. Estão previstos até R$ 5 bilhões em créditos fiscais entre 2027 e 2034 para projetos de beneficiamento e transformação de minerais críticos e estratégicos no Brasil. 

  • Além disso, o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM) poderá receber até R$ 2 bilhões da União. 

Fusões e aquisições. Os investidores estrangeiros movimentaram 60% do valor de fusões e aquisições do setor de energia no Brasil nos últimos três anos, segundo um levantamento da consultoria Acorn Advisory. O estudo foi realizado com base em dados da TTR Data referentes ao período de julho de 2023 e junho de 2026.

  • Compradores internacionais, no entanto, foram responsáveis por 30,7% das aquisições de controle. A diferença entre o valor e a participação nas transações evidencia a concentração do capital internacional em ativos de maior porte. 

Eólicas offshore. A fonte pode reduzir a necessidade de investimentos em linhas de transmissão de longa distância no Brasil, ao permitir que parte da nova geração renovável seja instalada mais perto dos grandes centros de consumo, indica um estudo elaborado pela Ocean Energy Pathway (OEP) e conduzido pela consultoria MRTS. 

  • De acordo com o levantamento, a entrada de 18 GW de eólicas no mar aumentaria o custo total de expansão do sistema elétrico em apenas 1,3%. 

Energia nuclear. A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que a capacidade de energia nuclear pode mais que triplicar até 2060, em meio à crescente demanda por eletricidade e segurança energética com o boom da inteligência artificial (IA).

  • Em post na rede X, a agência da ONU disse que reatores modulares pequenos estão prestes a se tornar uma fonte significativa e nova de energia limpa, diante da necessidade crescente de compensar reatores que estão sendo desativados.

Opinião: Expansão da geração distribuída amplia conflitos sobre capacidade da rede e coloca em discussão os limites técnicos e jurídicos para a restrição de novos acessos, escreve a advogada de Direito de Energia do Abi-Ackel Advogados Associados,  Nayara Raposo. 

Petróleo sobe. O petróleo operava em alta por volta das 7h de terça (15) no horário de Brasília, a US$ 107,83 o barril. 

  • O Brent encerrou as negociações na segunda-feira (14) em alta de 1,02%, a US$ 105,68 o barril. O aumento nos preços acompanha as tensões no conflito no Oriente Médio, com os Houthis avançando nas proximidades do Estreito de Bab al-Mandeb e os ataques de drones ao oleoduto saudita Leste-Oeste ampliando preocupações de mais restrições na oferta. 

Etanol também. Os preços médios do etanol hidratado subiram em 14 estados e no Distrito Federal (DF), caíram em oito e ficaram estáveis em três outros na semana de 6 a 12 de setembro. No Amapá não houve cotação.

  • Os dados são da ANP, compilados pelo AE-Taxas. Nos postos pesquisados em todo o país, o preço médio do etanol subiu 2,28%, a R$ 4,04 o litro.

Biometano. A fonte precisa de um pacote de políticas para ganhar espaço em frotas pesadas, aponta um estudo do Instituto MBCBrasil. As medidas incluem precificação de carbono, paridade com o diesel e infraestrutura. Veja mais detalhes na newsletter diálogos da transição. 
 
Opinião: ANP separa atributo ambiental da molécula de biometano e cria dois ativos por operação. Contratos precisam definir titularidade e uso do CGOB para evitar dupla contagem, escrevem Maria Fernanda Soares e Luiza Miranda Cima, respectivamente, sócia e advogada do Machado Meyer Advogados.
 
Você sabia? O maior terminal de exportação de GNL no mundo hoje é o projeto Sabine Pass, nos EUA, com capacidade para 29,5 milhões de toneladas métricas por ano. Na sequência, estão dois projetos na África: um terminal de 22,2 milhões de toneladas métricas/ano na Nigéria e um de 20,8 milhões de toneladas métricas/ano na Argélia.  

Créditos