PF procura empresário por compra de dados sigilosos da esposa de Moraes
Título: PF investiga empresário por aquisição de informações confidenciais da esposa de Moraes
Marcelo Conde, filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, divulgou dados relacionados à esposa do ministro Alexandre de Moraes.
A Polícia Federal deflagrou uma nova fase da Operação Exfil para investigar um esquema de obtenção ilegal de declarações fiscais sigilosas de autoridades públicas e seus familiares.
O alvo da operação é o empresário Marcelo Paes Fernandez Conde, de 65 anos, filho do falecido ex-prefeito do Rio de Janeiro e ex-vice-governador Luiz Paulo Conde. Marcelo Conde, suspeito de comprar e divulgar dados sigilosos de Viviane Barci, advogada e esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estaria foragido no exterior.
As investigações apontam que Marcelo Conde seria o responsável por uma estrutura organizada que acessou indevidamente sistemas da Receita Federal e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para obter as informações. O primeiro acesso irregular aos dados da esposa de Moraes foi identificado em agosto de 2025 em uma unidade da Receita no Guarujá (SP).
O Supremo Tribunal Federal constatou múltiplos acessos ilegais ao sistema da Receita Federal, seguidos de vazamento das informações. Diversos contribuintes, incluindo pessoas ligadas a autoridades como ministros do Supremo, do Tribunal de Contas da União (TCU), deputados federais, ex-senadores, um ex-governador, dirigentes de agências reguladoras e empresários, tiveram seus dados acessados.
O ministro Alexandre de Moraes emitiu um mandado de prisão preventiva contra o empresário e seis mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo. As investigações indicam que Conde comprava listas de CPFs e realizava pagamentos em dinheiro para receber as declarações fiscais obtidas ilegalmente. A transação teria sido intermediada pelo contador Washington Travassos de Azevedo, preso em outra fase da operação.
Na decisão, Moraes ressaltou a importância das buscas para a identificação de outros possíveis envolvidos. A apreensão de dispositivos eletrônicos é considerada fundamental para evidenciar a extensão da atuação do investigado.
A primeira fase da Operação Exfil foi realizada em 17 de fevereiro de 2026, com mandados de busca e apreensão cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia contra servidores públicos suspeitos de envolvimento no esquema. Medidas cautelares, como uso de tornozeleira eletrônica, afastamento de funções e proibição de sair do país, foram impostas.
A defesa de Marcelo Conde, representada pelo advogado Nelio Machado, informou que tomou conhecimento das medidas contra o cliente apenas recentemente e ainda não teve acesso ao teor da decisão judicial.


