Os depoimentos de investigados no caso do Banco Master foram remarcados para as próximas segunda (26) e terça-feira (27). A decisão foi tomada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, que determinou à Polícia Federal (PF) a redução do prazo originalmente previsto para a coleta das falas.
Segundo o cronograma enviado ao STF pela PF nesta segunda-feira (19), nove pessoas serão ouvidas. O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, não consta na lista, já tendo prestado depoimento em 30 de dezembro, embora houvesse expectativa de que fosse ouvido novamente.
Toffoli justificou a concentração das oitivas em dois dias consecutivos pela “limitação de pessoal e disponibilidade de salas” no Supremo. O ministro afirmou que os depoimentos são necessários “para o sucesso das investigações” e como “medida de proteção ao Sistema Financeiro Nacional e às pessoas que dele se utilizam”.
Histórico dos depoimentos e medidas cautelares
Antes da nova determinação, Vorcaro havia sido intimado para depor em 27 de janeiro. Entre os convocados estão ex-executivos do Master, como o ex-sócio Augusto Lima, e integrantes da cúpula do BRB. A PF inicialmente planejava iniciar os interrogatórios no fim de janeiro, com prosseguimento em fevereiro, permitindo que os investigados escolhessem participar presencialmente ou por videoconferência.
Desde a revogação de sua prisão preventiva, em 28 de novembro, Vorcaro está com tornozeleira eletrônica e depende de autorização judicial para se deslocar. Ele e o ex-diretor Costa já passaram por acareação sobre divergências relacionadas à venda de R$ 12,2 bilhões em créditos supostamente inexistentes do Banco Master para o BRB — tema central das próximas oitivas.
O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, responsável por supervisionar instituições financeiras, já prestou depoimento, mas não participou da acareação entre Vorcaro e Costa. No primeiro interrogatório, Vorcaro respondeu a perguntas da delegada da PF Janaina Palazzo, do Ministério Público Federal e do próprio gabinete do ministro Toffoli, totalizando cerca de 80 questionamentos em quase três horas.
Investigação sigilosa e impacto financeiro
O processo tramita em segredo de Justiça desde dezembro. Todas as diligências e medidas relacionadas à investigação dependem de autorização de Toffoli. Segundo os investigadores, antes mesmo da formalização da venda do Master, o banco teria forjado e vendido aproximadamente R$ 12,2 bilhões em créditos consignados para o BRB — sendo R$ 6,7 bilhões em contratos falsos e R$ 5,5 bilhões em “prêmios”, valor correspondente ao suposto valor da carteira mais um bônus.
O escândalo culminou na liquidação do Banco Master em 18 de novembro, destacando a magnitude do caso e o impacto sobre a confiança no sistema financeiro brasileiro.
