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Pitacos: Botafogo torna jogadores maiores do que eram antes; ao sair ‘pensando na carreira’, você abre mão de ser gigante na história do clube

Pitacos: Botafogo torna jogadores maiores do que eram antes; ao sair ‘pensando na carreira’, você abre mão de ser gigante na história do clube

Pitacos: Botafogo torna jogadores maiores do que eram antes; ao sair ‘pensando na carreira’, você abre mão de ser gigante na história do clube

* Com o desmanche do Botafogo de 2024, fica uma sensação em muitos que o Botafogo deve ser grato a todos que passaram pelo clube e, especialmente, aos que foram campeões. Não deixa de ser verdade. Mas a gratidão é uma via de mão dupla.

* Pouco se fala que os heróis de 2024 se tornaram maiores por causa do Botafogo. Foi o clube que proporcionou a eles estrutura, ambiente, altos salários, atmosfera mágica e sinergia com a torcida. O que foi crucial na conquista da Libertadores e do Campeonato Brasileiro.

* É só pensar de duas formas: o que eram os jogadores (e o técnico Artur Jorge) antes de chegar ao Botafogo. Ou o que foram após sair. Praticamente ninguém repetiu o sucesso que teve no Glorioso. Talvez apenas Luiz Henrique, craque, tenha mantido o nível, tanto que estará na Copa do Mundo com a Seleção Brasileira e foi campeão russo.

* John e Igor Jesus (esse queria ter ficado) poderiam estar na Copa se estivessem no Botafogo. Thiago Almada está no ostracismo no Atlético de Madrid. Júnior Santos bateu e voltou do Atlético-MG. Outros não brilham mais como outrora, como Tiquinho Soares, Eduardo, Tchê Tchê etc. Apenas alguns exemplos.

* A verdade é que o Botafogo também deu muito a estes jogadores. Não apenas os títulos, mas também o status para seguirem bem na carreira e com bom status.

* É aí que chegamos a Alexander Barboza, que se despediu do Nilton Santos no último domingo, na boa vitória por 3 a 1 sobre o Corinthians. É justo e legítimo um jogador querer seguir sua carreira, ter um novo contrato alto, disputar títulos. Ele sai grande do clube. Poderia ficar gigante na história se tivesse permanecido. Até por ser algo raro no futebol atual.

* A história tem dois lados, é claro que há culpa do Botafogo no processo, por querer vender o jogador para pagar salários. Mas Barboza poderia ter renovado anteriormente, em vez de exigir permanência de dirigentes ou time forte para conquistar títulos. Como o clube cumpriria essas promessas? Como ordenar a dirigentes que não saiam? Como ter certeza de briga por conquistas? Barboza que montaria o elenco para se certificar?

* Quando o Botafogo contratou Alexander Barboza, deu a ele o maior passo de sua carreira, sair do Libertad para ganhar dois títulos grandes, salário alto, sonhar com seleção, ser mais reconhecido. O clube em algum momento fez exigências de o zagueiro não poder ser expulso, reclamar com o juiz, errar na saída de bola etc?

* Barboza saiu de graça do Libertad para assinar com o Botafogo. Deu indicativos de que faria o mesmo no fim do contrato com o Glorioso. Natural repetir roteiro. Logo, não dá para dizer que o Alvinegro errou ao aproveitar o último momento em que poderia gerar receita com ele. Se um jogador pode (e deve) olhar para a sua carreira, um clube tem que pensar em seu planejamento.

* E aqui não é para vilanizar ou criticar Alexander Barboza. É realmente um grande da história do Botafogo, foi fundamental nos títulos, honrou a camisa e representou a torcida. Escreveu um capítulo bonito.

* Danilo é outro caso. Foi contratado por altos valores pelo Botafogo em seu pior momento na carreira. Novamente, o clube o tornou maior do que era, com consolidação na Seleção Brasileira. E o meio-campista deixou o time na mão ao não jogar contra o Corinthians. Uma pena. Se os empresários não querem que jogue para não fechar portas no Brasil, eles têm é que encontrar logo um bom comprador para o jogador. Não simplesmente tirá-lo de ação ou da vitrine.

* Ainda com Barboza e sem Danilo, o Botafogo venceu o Corinthians no último domingo, com três gols de Arthur Cabral. Vitória importantíssima. Novamente, com um estilo mais brigador, mais fechado, mais reativo. Quando joga assim, o time obtém melhores resultados. Quando Franclim Carvalho volta a querer ter o controle com a bola e jogadores mais técnicos, vêm tropeços. Não está difícil escolher o caminho. Até por ser uma necessidade. É hora de mais Villalbas e menos Tucus Correas em campo.

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