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Por que Lula vetou linguagem neutra no serviço público

Por que Lula vetou linguagem neutra no serviço público

Por que Lula vetou linguagem neutra no serviço público

Presidente Lula durante cerimônia no Planalto; governo justificou veto por questão de competência administrativa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou, parcialmente, a lei que proíbe o uso de linguagem neutra em documentos, comunicações e materiais produzidos por órgãos e entidades da administração pública federal. A decisão, enviada ao Congresso nesta terça-feira (18), não trata de posicionamento político contra ou a favor da linguagem neutra, mas sim de competência administrativa do Executivo.

Segundo o Planalto, o trecho vetado extrapolava as atribuições do Legislativo ao determinar como o Executivo deveria organizar sua estrutura interna. O dispositivo impunha que cada órgão público designasse um servidor para aplicar técnicas de “linguagem simples”, treinar equipes e supervisionar a política de comunicação. Para Lula, essa definição invade a prerrogativa exclusiva do Executivo de criar cargos, funções e distribuir responsabilidades dentro da administração.

A mensagem presidencial enviada ao Congresso afirma que a Advocacia-Geral da União (AGU) e o Ministério da Justiça recomendaram o veto por entenderem que o artigo contrariava a Constituição ao impor obrigações internas que só poderiam ser estabelecidas pelo chefe do Executivo.

Com o veto, a lei passa a vigorar sem o trecho que tratava dessa estrutura interna, mas mantém a orientação geral de que documentos oficiais devem seguir as normas gramaticais consolidadas, incluindo o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa e o Acordo Ortográfico. Isso impede, na prática, o uso de expressões como “todes”, “amigues” ou pronomes como “elu/delu” em textos e materiais oficiais.

A Política Nacional de Linguagem Simples, no entanto, foi sancionada quase integralmente. Ela prevê regras de clareza, objetividade e acessibilidade na comunicação pública, além da possibilidade de versões de documentos em línguas indígenas sempre que necessário.

O veto foi formalizado em ofício da Casa Civil, que encaminhou ao Congresso as justificativas assinadas pelo presidente. Agora, cabe aos parlamentares decidir se mantêm ou derrubam o veto em sessão conjunta.

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