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Presidente do Irã pede desculpas por repressão

Presidente do Irã pede desculpas por repressão

Presidente do Irã pede desculpas por repressão

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, expressou seu arrependimento pela violência nos protestos que têm ocorrido no país desde o final do ano passado. Em meio às comemorações dos 47 anos da Revolução Islâmica, em Teerã, ele pediu desculpas à população afetada pela repressão.

Sem mencionar diretamente a ação das forças de segurança, Pezeshkian afirmou sentir-se “envergonhado” e assumiu a responsabilidade de auxiliar “todos os atingidos por esses incidentes”. Ele ressaltou também a dificuldade em dormir devido à crise e destacou a necessidade do governo em “reconstruir o país”.

Os protestos no Irã

Os protestos tiveram início devido ao agravamento das condições econômicas no país. A inflação acima de 50% ao ano, a desvalorização contínua do rial e as restrições financeiras impostas pelas sanções internacionais contribuíram para as manifestações. Embora os protestos por questões econômicas não sejam incomuns no Irã, este ciclo de manifestações registrou um nível de violência mais elevado do que em episódios anteriores.

Relatórios de organizações de direitos humanos apontam milhares de mortes, com estimativas que variam de mais de 6.000 a até 30.000 vítimas. O governo iraniano não divulgou um balanço oficial consolidado.

Em seu discurso, Pezeshkian enfatizou a importância da unidade nacional e atribuiu parte da instabilidade a pressões externas. Ele comparou a situação a uma ferida na sociedade que precisa ser curada. Enquanto os fogos de artifício celebravam o aniversário da República Islâmica, foram ouvidos gritos de “Morte ao Ditador” em bairros da capital, em referência ao líder supremo, Ali Khamenei.

O presidente também abordou a situação internacional, mencionando a tentativa anterior do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), de considerar uma ação militar em apoio aos manifestantes no Irã. Essa iniciativa não avançou devido à pressão de países da região, e os Estados Unidos passaram a preferir a via diplomática.

Representantes dos dois países estão realizando negociações indiretas em Omã sobre o programa nuclear iraniano. Além disso, a Casa Branca propôs discutir questões relacionadas a mísseis balísticos e ao apoio do Irã a grupos aliados no Oriente Médio. Publicamente, o governo iraniano demonstrou disposição restrita em relação ao tema nuclear, incluindo a possibilidade de enviar material enriquecido para o exterior e reduzir o nível de enriquecimento.

Em uma entrevista à Al Jazeera, o chefe do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, mencionou que, caso as negociações sejam bem-sucedidas, poderão ser expandidas. No entanto, ressaltou que ainda é cedo para determinar se outros impasses bilaterais serão abordados.