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Processo de trabalho escravo na Bahia repercute fora do Brasil

Processo de trabalho escravo na Bahia repercute fora do Brasil

Processo de trabalho escravo na Bahia repercute fora do Brasil

Reportagem do jornal Washington Post analisou as denúncias sobre trabalho análogo à escravidão da BYD em Camaçari (BA)

As acusações de trabalho similar à escravidão durante a construção da fábrica da montadora chinesa BYD em Camaçari (BA) ganharam destaque internacional com uma matéria divulgada neste sábado (14 de março de 2026) pelo jornal norte-americano Washington Post.

O artigo aborda a “fraude consciente e sistêmica” praticada pela montadora e suas empreiteiras chinesas, China Jinjiang Construction Brazil e Tecmonta Intelligent Equipment Brazil. Veja os principais pontos mencionados:

  • alojamentos – 56 trabalhadores chineses viviam em condições precárias em 2 prédios de 2 andares na rua Colorado. Em um dos alojamentos, 31 trabalhadores compartilhavam um único banheiro;
  • impossibilidade de fugir – os funcionários tinham seus passaportes retidos e eram obrigados a executar tarefas extenuantes. Eles dormiam trancados em dormitórios vigiados por guardas armados;
  • promessas falsas – foram feitas promessas de vistos, passagens aéreas, alojamento e alimentação, além de um salário superior a US$ 2.800 por mês;
  • desinteresse da alta gestão da BYD – trabalhadores afirmaram ter alertado repetidamente a alta direção da BYD Brasil, que alegava que o governo brasileiro estava ao lado da empresa. O gabinete do presidente Lula negou essa informação ao The Post e afirmou seu compromisso com os “direitos humanos dos imigrantes, a legislação nacional, os direitos trabalhistas e a fiscalização rigorosa das condições de trabalho”;
  • indignação das empresas chinesas – as empresas negaram publicamente as acusações e alegaram problemas de tradução.

De acordo com o Washington Post, a matéria foi baseada na análise de mais de 5.000 páginas de processos judiciais no Brasil e na China. Ao todo, 41 pessoas foram entrevistadas, incluindo investigadores brasileiros, ex-funcionários e colaboradores atuais da BYD.

O Poder360 tentou contatar a BYD para obter um posicionamento sobre a matéria, porém não obteve resposta.

Relembre o caso

Em 23 de dezembro de 2024, uma operação do Ministério Público do Trabalho resgatou 163 trabalhadores em “condições análogas à escravidão” e interrompeu parte das atividades na construção da fábrica da BYD em Camaçari (BA). Foi revelado que os operários estavam submetidos a condições de trabalho deploráveis. Poucos dias depois, mais 57 funcionários da Tonghe (agora Tecmonta) foram encontrados em situações similares.

As investigações revelaram que todos os trabalhadores ingressaram no Brasil de maneira irregular. Os vistos de trabalho estavam vinculados a funções especializadas, porém as atividades desempenhadas nos canteiros de obras não condiziam com as autorizações concedidas.

Na ocasião, a BYD informou ter recebido uma notificação do Ministério Público do Trabalho indicando que a construtora terceirizada Jinjiang “tinha cometido graves irregularidades” e, por isso, rescindiu o contrato com a Jinjiang. Leia a nota completa da BYD (60 KB).

Em 27 de maio de 2025, o Ministério Público do Trabalho da Bahia moveu uma ação contra a montadora chinesa, solicitando uma indenização de R$ 257 milhões por danos morais coletivos. Para encerrar o caso, o MPT-BA chegou a um acordo de R$ 40 milhões com a BYD em 26 de dezembro de 2025.