Programa Gás do Povo já cobre 100% dos municípios brasileiros
O Programa Gás do Povo já está em vigor em todos os 5.570 municípios brasileiros, incluindo localidades sem revenda de gás liquefeito de petróleo (GLP), onde a entrega é feita por roteirização de revendedores de cidades vizinhas, segundo oo presidente do Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo), Sérgio Bandeira de Mello, em entrevista ao estúdio eixos durante o diálogos da transição, no Energy Summit 2026, no Rio de Janeiro.
“Semana passada completamos o último município em Mato Grosso, Rondolândia, que não tem revenda de gás, com [atendimento a] 21 famílias. As distribuidoras do Sindigás conseguiram roteirizar um revendedor do município vizinho em conjunto com o município que seria atendido para que os beneficiários possam trocar seu voucher”, afirmou. Assista na íntegra.
Segundo Bandeira de Mello, a capilaridade do programa é um feito notável. Em pouco mais de três meses desde a ampliação para todo o país — em 23 de março —, 45% das revendas já aderiram ao sistema. Para efeito de comparação, o Farmácia Popular, com 22 anos, cobre 82% dos municípios.
“É avassalador, não é uma coisa que só a gente se orgulha, nós nos surpreendemos”, disse.
Combate à pobreza energética
O presidente do Sindigás avaliou que, embora a operação funcione “de forma espetacular” — com pagamento aos revendedores em até 48 horas pela Caixa Econômica Federal —, ainda faltam dados consolidados sobre o impacto do programa na redução do consumo de lenha, que ainda representa 23% da matriz energética residencial brasileira.
“A gente ainda tem que julgar como é que vai ser a métrica de resultado em termos de combate à pobreza energética. O maior resultado que a gente pode ter é redução de consumo de lenha”, afirmou.
Continuidade do programa
Em ano eleitoral, Bandeira de Mello disse acreditar que o programa continuará em 2027, ainda que com eventuais ajustes no formato ou no valor do voucher.
“Eu acho que esse passo para trás a gente não dá mais. Mudanças sempre vão ser bem-vindas e sempre vão ser desafiantes”, pontuou.
A avaliação é que a lógica de subsídio “focalizado para quem precisa e que faça com destinação específica”, em vez de redução generalizada de impostos, tornou o programa mais eficiente e de difícil reversão.
Subvenção ainda não chegou ao setor
Sobre a subvenção ao GLP anunciada pelo governo, Bandeira de Mello afirmou que o setor ainda não sentiu seus efeitos.
“Não sentimos ainda o efeito da subvenção. A Petrobras praticava preços alinhados ao mercado via leilões e deixou de fazê-los. Mas não tenho informação de que a subvenção tenha sido paga até agora“, disse.
O presidente do Sindigás também manifestou a expectativa de que os leilões de GLP promovidos pela Petrobras — que chegaram a ter ágios superiores ao dobro do preço de lista — não retornem.
“Espero sinceramente que não retornem. Do ponto de vista de sinais de mercado, o leilão é muito negativo. A gente acredita que a Petrobras precisa voltar a fazer preços de lista compatíveis com o mercado, flutuando de acordo com as condições”, defendeu.
Principais assuntos tratados:
- Gás do Povo substitui lenha por GLP, com 100% dos municípios cobertos e 45% das revendas aderidas;
- Pagamento inovador: Caixa paga revendedor em 48 horas, sem custo upfront ao beneficiário;
- Programa pode ser ajustado, mas retrocesso a subsídios generalizados é improvável;
- Brasil não foi afetado pela guerra porque GLP vem do Golfo do México, não do Golfo Pérsico;
- Leilões da Petrobras criam distorção com ágios abusivos; setor defende preços de lista flutuantes.
Estúdio eixos nos diálogos da transição 2026:


