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Psiquiatras do MA repudiam decisão de mudar nome do Hospital Nina Rodrigues

Psiquiatras do MA repudiam decisão de mudar nome do Hospital Nina Rodrigues

Psiquiatras do MA repudiam decisão de mudar nome do Hospital Nina Rodrigues

A Associação Maranhense de Psiquiatria (AMP) emitiu uma nota oficial expressando “forte repúdio” à condução da controvérsia judicial que determinou a remoção do nome do médico Raimundo Nina Rodrigues de um hospital psiquiátrico da capital.

Essa posição surge depois da decisão do juiz Douglas de Melo Martins, que considerou a homenagem inapropriada devido às teorias eugenistas e racistas defendidas pelo médico no passado.

A entidade argumenta que, embora compreenda que o debate é motivado por preocupações legítimas e ideias hoje rejeitadas, a revisão histórica não deve levar a um “apagamento simbólico”.

De acordo com a AMP, questões desse tipo demandam equilíbrio e responsabilidade institucional, evitando que uma simples mudança de nome seja vista como solução para problemas estruturais da saúde.

Críticas à “Reescrita Histórica”

Os profissionais da categoria enfatizam que a história é um campo dinâmico que permite novas interpretações, mas estas não devem resultar na exclusão de elementos históricos, especialmente quando não trazem benefícios diretos aos pacientes.

A associação destaca que a alteração do nome, por si só, não é suficiente para lidar com os reais desafios da saúde mental no estado. Entre as prioridades elencadas pela AMP que deveriam ser o foco do debate estão:

  • Expansão do acesso e aprimoramento das condições de atendimento;
  • Fortalecimento da rede de assistência e capacitação contínua das equipes; e
  • Redução do estigma ainda presente em relação às pessoas com problemas mentais.

O comunicado, assinado pelo presidente da AMP, Bruno Palhano, destaca que a discussão sobre a nomenclatura do edifício não deve desviar a atenção do que a entidade considera crucial: o fortalecimento efetivo e constante da política de saúde mental no Maranhão.

Enquanto a Justiça determinou que o Estado tome as medidas necessárias para atualização de placas e documentos oficiais, a classe médica enfatiza que a prioridade deve ser a qualidade do serviço prestado à população.

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