Quais são as rotas alternativas para o petróleo com o bloqueio de Ormuz?
Outras vias podem absorver apenas parte do volume de petróleo transportado pelo Estreito de Ormuz, localizado na costa do Irã, que é responsável por enviar grande parte da produção do Oriente Médio. Diante disso, a interrupção do canal pode causar um impacto de até 10 milhões de barris por dia na oferta mundial, conforme estimam analistas.
O Irã comunicou que bloqueou a passagem pelo estreito no último fim de semana, após os ataques dos Estados Unidos e de Israel e a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, no sábado (29/2).
A obstrução deve impedir que 15 milhões de barris por dia de petróleo bruto cheguem ao mercado global, o que representa cerca de 30% do comércio marítimo global de petróleo bruto, conforme cálculos da consultoria Rystad Energy.
A maioria das exportações da região tem como destino a Ásia, especialmente a China.
Parte do volume pode ser compensada por rotas alternativas, porém as opções para desviar do estreito são limitadas, com capacidade para absorver apenas parte do fluxo.
A consultoria estima que, mesmo com a utilização total de outras infraestruturas, haverá desafios no Oriente Médio para exportar de 8 a 10 milhões de barris por dia.
Uma das alternativas para o escoamento do petróleo produzido pela Arábia Saudita é um gasoduto no Mar Vermelho, com capacidade para 5 milhões de barris por dia.
Por sua vez, os Emirados Árabes Unidos têm a opção de utilizar o gasoduto de Abu Dhabi, com capacidade de 1,5 milhão de barris por dia.
“Os países que possuem reservas estratégicas de petróleo podem decidir liberar esses volumes no mercado, caso os riscos relacionados à interrupção no estreito persistam”, observa o chefe de análise geopolítica da Rystad, Jorge Leon.
O analista ressalta, no entanto, que os estoques são limitados e foram planejados para lidar com impactos de curto prazo, não para interrupções estruturais prolongadas.
“Uma obstrução prolongada acarretaria consequências geopolíticas graves e provavelmente provocaria uma resposta internacional rápida”, destaca Leon.
No domingo (01/3), a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (Opep+) confirmaram que aumentarão a produção de petróleo a partir de abril, com a maior expansão na extração vindo da Arábia Saudita e da Rússia.
Apesar de não se prever uma extensão do bloqueio em Ormuz, Leon afirma que os impactos logísticos podem durar semanas, incluindo congestionamento de navios-tanque, reagendamento de cargas e atrasos nos portos.
Ormuz também recebe grande parte da produção de gás natural do Oriente Médio, incluindo gás natural liquefeito (GNL) de importantes exportadores como o Catar e os Emirados Árabes Unidos (EAU).

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