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Redata avança na Câmara, mas incentivos ainda dependem de regulamentação

Redata avança na Câmara, mas incentivos ainda dependem de regulamentação

Redata avança na Câmara, mas incentivos ainda dependem de regulamentação

Nesta Edição: Após impasse com a medida provisória, Redata ressurge como projeto de lei e entra na pauta da Câmara desta terça-feira, 24 de fevereiro.

Política para centros de dados promete atrair bilhões, mas os efeitos práticos dependem da regulamentação.

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Edição Apresentada por:

A política de incentivos federais para atrair a instalação de centros de dados no Brasil entrou na pauta de votações da Câmara nesta terça-feira, 24 de fevereiro, após a definição do relator do projeto de lei que tramita em regime de urgência.

O PL 278/2026 será relatado pelo deputado Aguinaldo Ribeiro (PP/PB), que também é relator do marco legal da inteligência artificial (PL 2338/2023). Até o fechamento desta edição, o texto somava mais de 60 emendas, mas o relatório ainda não estava disponível.

Criado via medida provisória em setembro do ano passado, o Redata concede isenção de PIS/Pasep, Cofins e IPI a empresas que investirem em infraestrutura digital sustentável no Brasil.

Para acessar os incentivos, as companhias devem cumprir critérios ambientais, como o uso de “energia limpa ou renovável”.

Ribeiro tentou, sem sucesso, unir os dois temas — centros de dados e inteligência artificial — em um único projeto no final do ano passado. A falta de acordo acabou afetando o cronograma de votação da MP que, sem comissão formada, vence amanhã, 25 de fevereiro.

O plano B veio na forma de projeto de lei. No início de fevereiro, o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT/CE), apresentou o PL 276/2026, idêntico à MP 1318/2025, na tentativa de preservar os benefícios do Redata.

O PL teve urgência aprovada às vésperas do Carnaval e pode ser votado no Plenário sem passar pelas comissões. Há expectativa da indústria de ter o texto aprovado ainda em fevereiro.

A intenção do Redata é antecipar os efeitos da reforma tributária para o setor e a MP, teoricamente, garantia isso imediatamente. Mas, na prática, como a regulamentação está pendente, o acesso aos incentivos ainda não ocorreu.

O governo brasileiro espera atrair até R$ 2 trilhões em investimentos privados ao longo de uma década.

Intensivos no consumo de energia, esses centros de dados também são uma promessa de demanda para parques eólicos e solares que hoje sofrem com cortes de geração.

Mas, uma expansão sem planejamento pode pressionar recursos energéticos e hídricos no longo prazo.

Para dar uma ideia: o Plano Nacional de Energia 2055 estima que o consumo de centros de dados pode chegar a 300 TWh em meados do século — o equivalente a quase metade do consumo total (672 TWh) de eletricidade no Brasil em 2025.

“O problema não é o centro de dados existir, é existir sem eficiência, sem contrapartida e sem planejamento”, avalia o diretor de Energia Sustentável e Bioeconomia do Instituto E+ Transição Energética, Clauber Leite.

Uma vez estabelecido o Redata, Leite defende que o programa seja regulamentado com critérios claros de eficiência, adicionalidade em energia renovável e adequada alocação de custos.

“O que precisa ser exigido antes da autorização de novos empreendimentos é clareza sobre disponibilidade hídrica, eficiência energética, compatibilidade com a expansão da rede e avaliação integrada dos impactos territoriais. O risco não é um centro de dados isolado, é a soma de muitos sem coordenação”, pontua.

Gas Week Outlook: Para a vice-presidente da Equinor no Brasil, Cláudia Brun, o Brasil pode usar os recursos de royalties e do Fundo Clima para estimular a criação de nova demanda industrial e ampliar o consumo de gás natural. Brun participou da Gas Week Outlook 2026, produzida pelo estúdio eixos na terça-feira, 24 de fevereiro, em São Paulo.

  • O gerente geral de Comercialização de Gás e Energia da Petrobras, João Marcello Barreto, também observou que a demanda do setor elétrico hoje é insuficiente para sustentar nova oferta firme de gás natural.
  • Já a diretora da EPE Heloísa Borges alerta que falta infraestrutura para a indústria aproveitar o excesso de gás na próxima década, avalia.
  • E o diretor-geral da ANP, Artur Watt, pontua que a consolidação do mercado livre de gás depende da conclusão da revisão das tarifas de transporte e da definição de regras claras para remuneração dos investimentos.

Etanol sem Desmatamento: A produtora de açúcar e bioenergia Tereos anunciou certificou o etanol produzido na unidade de Mandu, em Guaíra (SP), no ISCC CORSIA Low LUC Risk. A certificação internacional atesta que a produção do biocombustível não provoca emissões de gases de efeito estufa relacionadas ao impacto indireto do uso da terra.

Leilão de Transmissão: A diretoria da Aneel aprovou o primeiro leilão de transmissão de 2026. A primeira sessão será realizada em 27 de março, com a licitação de cinco lotes. Ao todo, serão ofertados nove lotes, que resultarão em 859 km de novas linhas e investimentos da ordem de R$ 5 bilhões.

Avaliação da Enel: A Aneel decidiu nesta terça-feira, 24 de fevereiro, por maioria, conceder um prazo adicional de 30 dias para o retorno da votação referente ao processo que avalia o desempenho da Enel São Paulo. É esse trâmite que, em tese, pode levar à abertura de um processo de caducidade da concessão.

Interdição da Refit: Três Frentes Parlamentares e cinco organizações do setor de combustíveis assinaram um manifesto em defesa das decisões da ANP no processo de interdição da Refinaria de Manguinhos, a Refit. Na semana que vem, no dia 4 de março, o TRF-1 deve julgar o recurso da refinaria contra a interdição sofrida em janeiro.

Recuperação Judicial: O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) acatou pedido de recuperação judicial da Gold Energia e demais empresas do grupo. A decisão liminar inclui uma suspensão, por 180 dias, das cobranças contra as empresas do grupo e determina ainda a reintegração da companhia à CCEE.