Sessão na Câmara homenageia 22ª edição do Acampamento Terra Livre – Notícias
Título: Sessão na Câmara presta homenagem à 22ª edição do Acampamento Terra Livre – Notícias
07/04/2026 – 16:00
Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Célia Xakriabá (C), responsável pelo pedido de realização da sessão
Representantes indígenas de todo o Brasil estão em Brasília para defender seus territórios e ressaltar que a demarcação também contribui para enfrentar a crise climática. O Acampamento Terra Livre, em sua 22ª edição, reúne mais de 7 mil participantes, entre indígenas e não indígenas, até sábado (11).
A Câmara dos Deputados promoveu uma sessão solene nesta terça-feira (7) em celebração ao evento, que marca o início do Abril Indígena, período de mobilização nacional. Estão programadas manifestações contra propostas relacionadas à mineração em terras indígenas e ao marco temporal.
Na ocasião, a deputada Sônia Guajajara (Psol-SP) enfatizou que o lema do evento é “Nosso futuro não está à venda, a resposta somos nós”.
De acordo com Guajajara, esse lema reflete a posição dos povos indígenas de que os territórios não devem ser tratados como mercadorias, os direitos não são passíveis de negociação e o futuro do planeta depende desses povos. “O Acampamento Terra Livre não é apenas um evento, é memória, é escola e é também estratégia política”, afirmou.
Guajajara, primeira ministra dos Povos Indígenas do Brasil, renunciou ao cargo recentemente para concorrer nas próximas eleições. Ela destacou que o movimento teve início em 2004, com pouco mais de 100 indígenas da região Sul.
Segundo a deputada, os objetivos desta edição incluem denunciar ameaças aos povos indígenas, apresentar soluções para enfrentar a crise climática, fortalecer a democracia e criar alternativas para o futuro.
Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Marina Silva: proteger os territórios indígenas é crucial para a preservação ambiental
A ex-ministra do Meio Ambiente, que também deixou o cargo para concorrer às eleições de outubro, a deputada Marina Silva (Rede-SP), afirmou que assegurar a demarcação dos territórios indígenas é essencial para a preservação ambiental do país.
“Garantir a demarcação das terras indígenas não é apenas um ato de justiça histórica, mas uma estratégia central para que o Brasil cumpra suas metas ambientais e proteja a biodiversidade”, declarou.
A deputada Célia Xakriabá (Psol-MG) presidiu a sessão e ressaltou que a COP 30, realizada no ano anterior, destacou a importância dos territórios indígenas no combate à crise climática.
Vinicius Loures / Câmara dos Deputados
Sônia Guajajara: territórios indígenas não são mercadorias, são direitos inegociáveis
Demarcação
- 20 terras homologadas;
- 21 terras declaradas, prontas para demarcação;
- 20 reservas constituídas;
- mais de 40 grupos técnicos criados pela Funai.
Também ocorreu a desocupação de não indígenas em 12 áreas na Amazônia. Entre os desafios, o ministro Eloy Terena destacou a discussão do marco temporal no Legislativo.
O acampamento é coordenado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil. A presidente da entidade, Jéssica Guarani, afirmou que a demarcação é vital para a democracia, a soberania e o futuro.
No âmbito do Executivo, ela reconhece avanços, mas demanda mais ações na demarcação e proteção dos territórios. “A União tem a responsabilidade de demarcar e proteger os territórios e vidas indígenas, além de garantir a consulta livre, prévia e informada. Não aceitamos omissões, barganhas ou tutela disfarçada de diálogo”.
No Legislativo, ela critica propostas que, segundo a entidade, ameaçam os direitos indígenas. “Qualquer proposta que vise atacar nossos direitos originários compromete nosso futuro e o bem-estar da humanidade”, afirmou.
Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Geórgia Moraes

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