Simões herda o governo de Zema, mas faltam carisma e votos para ser reeleito – CartaCapital
Empossado neste domingo 22, Mateus Simões (PSD) assume o governo de Minas Gerais com o desafio de se tornar mais conhecido e transformar a herança política de Romeu Zema (Novo) em votos, já que Zema deixou o cargo para concorrer à Presidência. Mesmo sem experiência em eleições majoritárias, Simões encontra-se em desvantagem nas pesquisas recentes em relação aos principais concorrentes e enfrenta um alto nível de desconhecimento por parte dos eleitores.
Como aliado de Zema, Simões é mais reconhecido por sua atuação como gestor do governo do que como líder com carisma popular. Fora de seu ambiente de trabalho, ele transmite uma imagem autoritária, mais propensa a dar ordens e adotar um tom ríspido do que a estabelecer conexão com o eleitorado.
Desde que entrou na pré-campanha, Simões passou por uma transformação física, perdendo peso após uma cirurgia bariátrica, deixando de usar óculos e adotando um estilo mais informal, sem o uso constante de terno, seguindo os passos de Zema. Antes dessa mudança, críticos zombavam de sua aparência, comparando-o ao impopular personagem Seu Barriga, do seriado mexicano Chaves.
A alteração em sua imagem é evidente, mas ainda não se refletiu em votos. Ele permanece atrás do principal adversário, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que conquistou destaque com vídeos francos nas redes sociais, frequentemente vestindo camisas de times de futebol. Cleitinho lidera com folga as pesquisas para o governo e é o favorito da direita mineira até o momento.
Simões aposta na possibilidade de Zema concorrer à vice-presidência em uma chapa liderada por Flávio Bolsonaro (PL), uma estratégia que, segundo ele, reorganizaria o cenário político em Minas. Em uma entrevista à Folha de S.Paulo, ele mencionou que a união nacional entre Novo e PL encerraria as discussões locais sobre a unificação da direita.
Simões enfrenta dificuldades em estabelecer empatia com os eleitores, como evidenciado em episódios recentes de confronto direto. A deputada estadual Lud Falcão (Podemos) afirmou ter recebido uma ligação exaltada do então vice-governador, na qual ele teria ameaçado fechar as portas do governo para ela e seu marido, caso não pedissem desculpas por críticas à administração estadual.
Diante dessas situações, Simões segue com uma fragilidade eleitoral. Nas pesquisas, ele se encontra atrás de adversários com melhor comunicação direta com os eleitores, como Cleitinho. O senador Rodrigo Pacheco também está à frente nas pesquisas, e acredita-se que ele buscará uma nova legenda para concorrer ao governo, após a filiação de Simões ao PSD.
Em um cenário político fragmentado, Simões depende da influência do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) para ampliar sua visibilidade. A exposição ao lado de Nikolas se tornou um impulso significativo para a tentativa de Simões de aumentar seu alcance.
Essa dinâmica reflete a dependência de Simões em relação à força política de terceiros, uma vez que, até o momento, ele não conseguiu consolidar seu próprio capital político.


