Sinal de reabertura do Estreito de Ormuz anima mercado, mas alívio na oferta é incerto
NESTA EDIÇÃO. EUA e Irã podem estar próximos de acordo que inclui uma reabertura no Estreito de Ormuz, mas suprimento global de petróleo pode seguir ameaçado.
ANP marca leilões de petróleo para outubro.
Silveira volta a prometer portaria do leilão de baterias em 15 dias e sinaliza conteúdo local.
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Expectativa de reabertura do Estreito de Ormuz anima mercado, mas alívio na oferta é incerto
O mercado global inicia a semana que marca três meses de guerra no Oriente Médio sob a expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã que inclua a reabertura do Estreito de Ormuz. Autoridades estadunidenses sinalizaram nos últimos dias que as negociações avançaram.
- Os países já chegaram a um consenso, mas as aprovações finais e condições ainda estão sob aprovação, segundo o NY Times.
- “As negociações estão ocorrendo de forma ordenada e produtiva e pedi aos meus representantes para não se precipitarem no acordo”, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, em publicação nas redes sociais no domingo (24/5).
- Trump acrescentou que o bloqueio da via pelos estadunidenses continuará até a assinatura do acordo.
O preço do barril de petróleo já começou a reagir: na abertura do mercado asiático na segunda (25/5), o Brent era negociado abaixo do patamar dos US$ 100 (BBC).
- Na sexta (22/5), o Brent para julho fechou em alta de 0,94%, a US$ 103,54 o barril.
No entanto, ainda não está claro se o alívio no suprimento global vai se concretizar de fato.
Também há pouca clareza sobre as condições impostas pelo Irã para a reabertura do fluxo na região, que pode envolver um pedágio para as exportações no Golfo Pérsico.
- Tampouco está claro se será viável retomar a passagem de cargas pelo Estreito de Ormuz de imediato, dado que há minas instaladas na via.
- Nesse contexto, é possível que os transportadores não tenham confiança para retomar o tráfego pela região ou cobrem mais caro para isso, o que seguirá pressionando os preços do petróleo.
Mesmo com a eventual retomada do fluxo de exportações do Oriente Médio, o mercado saiu de uma realidade de sobreoferta no início do ano para o cenário oposto hoje. Com mais barris disponíveis, será necessário repor os estoques usados de forma emergencial nos últimos meses.
Além disso, vale lembrar que a maior interrupção no suprimento global de petróleo e gás em cinco décadas deixa cicatrizes e cria um precedente que pode voltar a ser usado como arma geopolítica no futuro.
Subvenção para a gasolina. No Brasil, o alívio no combustível para reduzir os impactos da alta internacional do petróleo será de R$ 0,44 por litro, sinalizou o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, na sexta-feira (22/5).
- Segundo o ministro, o valor corresponde a cerca de metade dos tributos federais incidentes sobre o combustível e foi definido com cautela para evitar um impacto maior nas contas públicas.
Leilões de petróleo. A ANP marcou para 7 de outubro o 6º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC) e o 4º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha (OPP).
- Na partilha serão ofertados 23 blocos, nas bacias de Campos e Santos. O certame já tem 15 empresas inscritas;
- Já no leilão de concessão, 495 blocos exploratórios e cinco áreas com acumulações marginais estão disponíveis para oferta.
A novela no mercado livre de gás no Rio. O acordo entre Petrobras e Naturgy flexibiliza cláusulas do contrato de suprimento que eram apontadas pela CEG e CEG Rio como impeditivo a novas migrações de usuários livres. Enquanto isso, a indústria cobra celeridade nas liberações. Veja os detalhes na gas week.
Leilão de baterias. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), disse na sexta-feira (22) que a portaria do leilão de baterias será publicada em até 15 dias. A divulgação das regras para o certame é cobrada há meses pelo mercado, que espera a realização ainda em 2026.
Opinião: O debate relevante é se o desenho regulatório efetivamente adotado no LRCAP promoveu solução proporcional, eficiente, concorrencial e aderente aos desafios modernos do sistema elétrico brasileiro, escreve o fundador e vice-coordenador do Centro de Transição Energética da USP, Erik Rego.
Minério de ferro. A possível inclusão do minério de ferro na nova política nacional para minerais críticos e estratégicos acendeu alerta no setor, especialmente diante da possibilidade de criação de mecanismos para restringir ou desestimular exportações de minério bruto.
Opinião: O beneficiamento e a transformação dos minerais críticos em território nacional é um dos principais objetivos da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Os benefícios, inclusive, foram pensados de forma proporcional ao grau de agregação de valor do produto, escrevem o deputado Arnaldo Jardim e o assessor legislativo, Ziraldo Santos.
Acidente em mina de carvão. Uma explosão de gás em uma mina de carvão deixou ao menos 90 mortos na província de Shanxi, no norte da China, na noite de sexta-feira (22). (G1)
Financiamento climático. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) comemorou o levantamento de que países ricos forneceram US$ 136,7 bilhões em financiamento climático para países em desenvolvimento em 2024.
- O volume supera o compromisso de US$ 100 bilhões anuais para que países de renda média e baixa possam investir em transição energética e descarbonização da economia, segundo a organização. Saiba mais na diálogos da transição.
Opinião: A baixa qualidade do crédito de carbono retarda a descarbonização real da economia, pois cria uma falsa percepção de mitigação enquanto as emissões continuam a ocorrer, escreve o consultor de governança corporativa e ESG e conselheiro independente, Roberto Gonzalez.

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