Sobre Lulismos e Petismos – Os Analistas
Nos últimos dias, especialmente após as previsíveis visitas ao Palácio, agora chamadas de reuniões “estratégicas”, alguns colegas têm se dedicado a tentar provar a viabilidade de Orleans Brandão, o candidato da conjuntura. Nesse contexto, colocaram em dúvida a capacidade de unir politicamente Felipe Camarão e, por consequência, sua habilidade para impulsionar candidaturas proporcionais.
O debate é intrigante, para dizer o mínimo. Menos focado na análise concreta da situação política e mais impulsionado por uma fé repentina no determinismo genealógico, revela uma visão política que confunde base social com linhagem familiar e mobilização popular com nomeação administrativa.
Não fica claro e talvez nem seja relevante se as questões se referem à estrutura financeira, ao controle de recursos ou à capacidade de mobilização política em si. Em qualquer caso, o argumento é frágil. Parte da premissa de que a política é resolvida por inércia institucional, e não por disputa simbólica, ideológica e social. É a antiga tese do “já está decidido”, agora apresentada como realismo político.
Além disso, em certos setores do partido, práticas pouco republicanas são aceitas como normais: tentativas de influenciar o voto do eleitor e controlar previamente a vontade partidária. Esse comportamento é antigo, mas ganha nova roupagem ao ser chamado de “unidade”. Unidade, nesse contexto, significa adesão sem discussão, um conceito valorizado pelas oligarquias e historicamente estranho à esquerda.
Do ponto de vista da mobilização política, ideológica e eleitoral, e não da herança familiar, as pesquisas divulgadas pelo PT e pelo PSD indicam algo desconfortável para os defensores de Orleans Brandão: Felipe Camarão é atualmente o único nome capaz de unir o lulismo e o petismo no Maranhão, com impactos reais sobre as eleições proporcionais.
A diferença entre Felipe Camarão e Orleans Brandão não está apenas na biografia; é estrutural. Orleans entra na política após ser nomeado secretário de Estado, tendo como principal ativo o sobrenome e as conexões familiares. Por outro lado, Felipe construiu uma trajetória política, jurídica e acadêmica sólida, com experiência prática como gestor nas áreas de pessoal, cultura e educação — espaços onde se constrói base social, não apenas fidelidade administrativa.
Ao se juntar a Brandão na chapa, Felipe não desempenhou um papel meramente decorativo como vice, como ocorreu com WO na chapa de Roseana Sarney. Ele foi um protagonista efetivo do projeto vencedor. Alguns tentam apagar esse fato com uma memória seletiva, mas os resultados eleitorais continuam a lembrá-lo.
A campanha foi claramente centrada nas figuras de Brandão e Camarão, devido à influência política e simbólica de Felipe junto a setores-chave do eleitorado. Lembram do jingle de campanha? Isso é crucial para o PT, cujas candidaturas proporcionais têm falhado em conquistar sua própria base social que ajudaram a formar.
Historicamente, no Maranhão, apenas duas figuras desafiaram o lulismo: Roseana Sarney, pela direita, e Flávio Dino, pela esquerda. Nesta eleição, surge Eduardo Braide, cuja base é uma mistura de lulistas e bolsonaristas. Ele governa em um equilíbrio instável entre agradar a todos e comprometer-se com ninguém, um malabarismo clássico de quem prefere o silêncio à tomada de posição.
Nesse cenário, opor-se à candidatura de Felipe Camarão é uma escolha política. E suicida! Significa desistir da verdadeira disputa pelo lulismo, enfraquecer o petismo e aceitar, como futuro, a tutela oligárquica disfarçada de pragmatismo. Em resumo, o debate não é sobre viabilidade eleitoral, mas sobre a concepção de política.
Entre a política como um projeto coletivo e a política como uma sucessão hereditária, alguns já fizeram sua escolha. Resta saber se o PT seguirá o mesmo caminho ou se ainda pretende ser um partido, e não apenas um catálogo de sobrenomes servindo como linha auxiliar da direita.
Prof. Xico


