Perth (Austrália) – A temporada de 2025 foi difícil para Stefanos Tsitsipas. Longe das quadras desde o confronto contra o Brasil na Copa Davis, em setembro, o grego sofreu com uma persistente lesão nas costas que chegou a fazê-lo considerar o fim da carreira profissional. Ex-número 3 do mundo, ele ocupa atualmente a 36ª posição do ranking aos 27 anos e retorna ao circuito nesta sexta-feira, quando enfrenta o japonês Shintaro Mochizuki por volta de 7h30 (de Brasília) pela United Cup.
Durante a entrevista coletiva desta quinta-feira em Perth, Tsitsipas admitiu que, diante do quadro físico delicado e das dores constantes, pensamentos sobre aposentadoria passaram por sua cabeça. “Quando você se vê doente, em um estado mental muito escuro, e isso não acontece apenas por uma ou duas semanas, muitas coisas começam a passar pela sua mente. Você começa a imaginar o seu futuro, como vai estar em alguns meses, e essas ideias realmente surgem”, revelou.
“Eu me perguntava por que estava fazendo isso e por que estava me submetendo a tanta dor. Dor não é algo agradável para um atleta, especialmente quando ela continua voltando o tempo todo”, acrescentou o vencedor de 12 torneios da ATP. Para o tenista, a perspectiva de viver com dor constante o fez refletir sobre suas prioridades: “Para mim, é muito mais importante ser feliz e viver sem dor que continuar lutando no esporte que amo nessas condições. Eu preferiria colocar um ponto final se as coisas fossem por esse caminho, em vez de sofrer constantemente”.
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Apesar das dúvidas, o tenista deixou claro que o desejo de seguir competindo ainda fala mais alto. “Quero ser feliz com a forma como vivo a minha vida. Se um dia eu não for mais capaz de competir, acho que terei que parar. Eu não quero que isso aconteça. Espero continuar por mais 10 anos. Isso seria incrível, um sonho para mim”, afirmou, destacando também o quanto o tênis já lhe proporcionou. “O tênis me deu tanto que é muito difícil pensar em parar. Isso mexe muito com a cabeça”.
Tsitsipas contou que dedicou boa parte dos últimos meses à recuperação física. “Passei bastante tempo me recuperando. Fiquei afastado das quadras por muito tempo e, nos últimos três ou quatro torneios da temporada, mal conseguia me manter em pé. Era importante encontrar algo que me trouxesse de volta de forma saudável”, explicou.
Dificuldade para completar as partidas
Ele também admitiu que o maior medo nos últimos meses era não conseguir completar as partidas. O susto maior veio após a derrota no US Open, quando ficou praticamente impossibilitado de andar por dois dias. “Quando coisas assim acontecem, você começa a reconsiderar o futuro da sua carreira”, afirmou. “Minha maior preocupação era saber se eu conseguiria terminar um jogo. Durante seis a oito meses, eu pensava: se eu vencer hoje, vou conseguir voltar no dia seguinte e jogar sem dor?”.
O grego destacou que seguiu todos os passos necessários no processo de reabilitação e celebrou a resposta positiva do corpo durante a pré-temporada. “Fiz tudo o que precisava ser feito para me reabilitar e voltar a ser quem eu lembrava que era. Até agora, o retorno tem sido muito positivo, consegui fazer toda a pré-temporada sem dor ou desconforto. Espero que continue assim e que eu possa mostrar isso já na United Cup e ao longo da temporada de 2026”.
Por fim, Tsitsipas revelou que consultou um dos principais médicos do esporte e mantém o otimismo para o próximo ano. “Minha maior esperança para 2026 é não passar por isso novamente. Quero terminar partidas e não precisar pensar em problemas nas costas. Esse é o meu maior desejo para a próxima temporada”.
