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Vasco segue negociando com Marcos Lamacchia a venda da SAF

Vasco segue negociando com Marcos Lamacchia a venda da SAF

Vasco segue negociando com Marcos Lamacchia a venda da SAF

Vasco segue negociando com Marcos Lamacchia a venda da SAF

A Sociedade Anônima de Futebol (SAF) do Vasco da Gama enfrenta um momento crucial de transição. Desde que reassumiu o controle do departamento de futebol em 2024, o clube segue sem um investidor definitivo e se prepara para iniciar a temporada de 2026 diante de desafios financeiros, disputas legais e negociações em andamento para uma nova venda.

Após a aprovação da recuperação judicial, a diretoria vascaína busca um novo aporte financeiro para assegurar estabilidade econômica e manter a competitividade esportiva, ao mesmo tempo em que discute o futuro da SAF após o rompimento com a 777 Partners.

Qual é o panorama atual da SAF do Vasco?

Operando sem o respaldo de um investidor há aproximadamente dezoito meses, o Vasco se prepara para o início da temporada de 2026 ainda na expectativa de concluir a venda da SAF. O potencial interessado mais avançado nas negociações é um nome conhecido no mercado financeiro, porém é um estreante nas conversas de investimento com o clube.

Marcos Faria Lamacchia, empresário de 47 anos e filho de José Lamacchia, está em negociações diretas com a diretoria sob o comando de Pedrinho, atual responsável pela SAF. Com uma boa relação entre seu pai e a gestão vascaína, Marcos conta com o apoio da família para avançar no processo de aquisição do futebol do clube. A informação foi divulgada inicialmente pelo jornalista Lucas Pedrosa.

Filho de Lamacchia com uma das herdeiras do banqueiro Aloysio de Andrade Faria, fundador do banco Real, Marcos mantém um perfil discreto e raramente aparece em público. Apesar de possuir vínculos familiares com Leila Pereira, presidente do Palmeiras, Marcos tem uma carreira profissional independente, sem envolvimento direto na administração esportiva do clube alviverde.

O empresário tem acompanhado de perto todo o processo, desde a ação movida pelo Vasco para recuperar o controle da SAF da 777 Partners até a homologação da recuperação judicial, ocorrida recentemente. Além de ser o fundador da Blue Star, uma gestora financeira criada em 2011, Marcos Lamacchia também atuou como diretor na Crefisa por vários anos e trabalhou no banco Alfa, outro empreendimento relacionado à família.

Procurados, o Vasco e a família Lamacchia preferiram não comentar oficialmente o assunto. Marcos encontra-se, inclusive, em viagem fora do Brasil no momento.

Necessidade de novo suporte financeiro

Devido à necessidade de manter o fluxo de caixa, a diretoria avalia a possibilidade de recorrer a um novo empréstimo DIP no início de 2026, uma modalidade destinada a empresas em recuperação judicial. Mais uma vez, a Crefisa surge como uma das potenciais fontes de recursos internamente.

O Vasco obteve cerca de R$ 80 milhões em empréstimos anteriores, com previsão de esgotamento dos valores justamente no início deste ano, o que torna ainda mais urgente o avanço nas negociações envolvendo a SAF.

Atual divisão das ações da SAF

  • 30% pertencem ao clube associativo
  • 31% são de propriedade da 777 Partners (atualmente controladas pela A-CAP)
  • 39% continuam em disputa arbitral

Para concluir a venda total da SAF, será necessário um acordo ou decisão judicial favorável ao Vasco em relação à parcela em litígio.

Como foi a atuação da 777 no Vasco?

A 777 Partners não está mais no controle da SAF do Vasco. Em maio de 2024, uma decisão judicial do Rio de Janeiro suspendeu os contratos de acionistas e investimentos celebrados pela empresa norte-americana, devolvendo o controle do futebol ao clube associativo, sob a gestão de Pedrinho.

Conforme o vice-presidente jurídico Felipe Carregal, o retorno da 777 ou da A-CAP é inviável tanto legalmente quanto em termos de governança. Atualmente, o foco do Vasco está na apuração de responsabilidades e na busca por compensações pelos prejuízos causados durante a parceria.

Durante um período de um ano e nove meses de gestão, entre agosto de 2022 e maio de 2024, a 777 realizou 35 contratações que resultaram em despesas futuras consideráveis. Um relatório interno indicou que apenas 18% dos valores devidos até maio de 2024, referentes a transferências, bônus e comissões, haviam sido quitados.

Dívidas herdadas da gestão da 777

  • R$ 51,2 milhões em dívidas com outros clubes
  • R$ 5,4 milhões em bônus e prêmios a jogadores
  • R$ 3,5 milhões pagos ao Nacional (Puma Rodríguez) para evitar proibições de transferências
  • Pendências com jogadores fora dos planos, como Serginho
  • Regularização de bônus atrasados, como no caso de Payet

Desde então, a diretoria vascaína tem buscado renegociar, estender prazos e firmar acordos para reduzir o impacto financeiro herdado.

Recuperação judicial e próximos passos

A recuperação judicial do Vasco foi homologada em dezembro, com a aprovação de 97,7% dos credores. A partir de 2026, o clube passará a quitar entre R$ 25 e R$ 30 milhões anualmente em dívidas passadas, montantes que afetam diretamente o orçamento operacional.

Pedrinho assegura que o clube não tomará decisões irresponsáveis no mercado e que a seleção do novo investidor da SAF será criteriosa, priorizando estabilidade financeira, governança e comprometimento institucional.

“A juíza homologou em 21 de dezembro, e a partir deste janeiro, já iniciarei os pagamentos conforme o plano de recuperação judicial aprovado, previstos entre R$ 25 e R$ 30 milhões ao ano, valores referentes a dívidas passadas que impactam diretamente a receita operacional e custos operacionais. Como presidente, além de gerar receita para cobrir os custos anuais, devo também gerar mais R$ 25 milhões ou R$ 30 milhões para quitar essas dívidas passadas. É um processo desafiador, mas necessário para a sobrevivência do clube. Não farei escolhas que comprometam financeiramente a instituição durante minha gestão. A recuperação judicial foi aprovada por 97,7% dos credores. Para o Vasco prosperar, precisamos seguir esse caminho, mesmo que seja árduo.”

“Precisamos de mais um empréstimo para manter o equilíbrio financeiro. Estamos dentro do planejamento estabelecido, com as receitas necessárias para cumprir nossos compromissos com atletas, clube e pagamentos da recuperação judicial. Tudo segue conforme o cronograma traçado e o planejamento elaborado após a aprovação da recuperação judicial.”

O Vasco já tem um novo investidor?

O presidente confirmou a existência de acordos de confidencialidade assinados e revelou que um dos interessados está em estágio avançado em relação aos demais. Apesar do otimismo interno, a diretoria adota cautela e planeja anunciar qualquer acordo somente após a aprovação dos conselhos e total transparência contratual.

“Tenho acordos de confidencialidade assinados e não posso revelar os investidores. Posso afirmar que, entre todos os acordos, há um que está em estágio muito mais avançado do que os demais. Aguardamos com expectativa. Por experiência, sei que só devemos anunciar quando tudo estiver certo. Desejo que tudo corra bem, que seja aprovado pelos conselhos do clube com total transparência, assim como fizemos com o contrato anterior da 777. Buscamos um novo investidor responsável para o clube, que possa garantir seu bom funcionamento sem problemas. É importante ressaltar que algumas SAFs não obtiveram êxito, e é fundamental que o profissionalismo seja mantido. Estamos cuidadosos na escolha do investidor, visando sua responsabilidade com a instituição.”

“Não podemos afirmar com certeza. As conversas estão avançadas com relação a outros acordos de confidencialidade, que não prosseguiram. No passado, o (Evangelos) Marinakis assinou um acordo, mas não avançou, parecendo mais uma ação para agradar do que um real interesse em investir no Vasco. Este novo investidor já passou por várias etapas, e estamos aguardando os desdobramentos. Não podemos prever o desfecho, mas quando tudo estiver assinado, teremos a confirmação.”

Fonte: Papo Na Colina

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