Venezuela pós-Maduro: os cenários políticos após a captura do presidente
O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou-se inocente nesta segunda-feira (5) durante audiência de instrução em um tribunal federal de Manhattan, em Nova York. Em sua primeira aparição diante da Justiça americana, dias após ser capturado em Caracas por forças dos Estados Unidos, Maduro reafirmou sua autoridade ao dizer que “ainda é o presidente do meu país”.
Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores, respondem a acusações de tráfico internacional de drogas e porte ilegal de armas. Ambos também se declararam inocentes formalmente nesta segunda (6). A Justiça marcou a próxima audiência para o dia 17 de março. Nenhum dos dois pediu fiança ou libertação provisória.
Enquanto o casal permanece sob custódia nos EUA, a Venezuela vive um novo capítulo de instabilidade. Aliada histórica de Maduro, Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina ainda na segunda-feira, em um movimento que não foi reconhecido por Washington. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem reiterado que seu governo “está no comando” da situação e não descartou uma intervenção militar mais ampla caso o regime venezuelano não coopere.
Nos bastidores, a Casa Branca endurece o discurso. O vice-chefe de gabinete, Stephen Miller, classificou a atuação americana como uma “operação militar em andamento”, embora o governo sustente oficialmente que a captura de Maduro foi uma ação policial. Segundo ele, os EUA estão utilizando o controle sobre a economia venezuelana como instrumento de pressão e avaliam apresentar novas acusações contra outras autoridades do país.
No Congresso, o cenário é de incerteza. O líder da maioria no Senado, John Thune, afirmou que os próximos passos dos Estados Unidos em relação ao controle da Venezuela podem ser anunciados “nos próximos dias”, enquanto parlamentares aliados e da oposição questionam se há, de fato, um plano claro para o país sul-americano.
A crise também reacendeu o protagonismo da oposição. María Corina Machado declarou que pretende retornar à Venezuela “o mais rápido possível”, embora Washington tenha descartado, ao menos por ora, qualquer apoio à sua posse como presidente, alegando falta de legitimidade — posição que gerou críticas dentro e fora do país.
Outro ponto central da ofensiva americana é o petróleo. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, deve se reunir nesta semana com executivos do setor para discutir a reconstrução da infraestrutura energética venezuelana. Trump chegou a afirmar que empresas petrolíferas poderiam reerguer o setor em menos de 18 meses. Paralelamente, Washington planeja interceptar um petroleiro ligado à Venezuela, sobre o qual a Rússia reivindica jurisdição, como parte do bloqueio naval na costa do país.
Em meio à escalada, Trump também ampliou o tom de ameaça a outros governos que considera não cooperativos, citando possíveis ações contra a Colômbia, pressionando o México sobre o combate às drogas e voltando a mencionar o interesse estratégico dos EUA na Groenlândia.
Com Maduro diante da Justiça americana e a Venezuela sob intensa pressão internacional, o desfecho da crise permanece em aberto, mas os sinais indicam que o confronto político e geopolítico está longe do fim.
