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vítimas celebram condenação da BHP pelo rompimento da barragem de Mariana

vítimas celebram condenação da BHP pelo rompimento da barragem de Mariana

vítimas celebram condenação da BHP pelo rompimento da barragem de Mariana

Após decisão considerada “histórica” e “paradigmática”, que condenou a mineradora anglo-australiana BHP pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), moradores que perderam familiares e tiveram suas comunidades destruídas celebraram o que consideram o primeiro reconhecimento real de responsabilidade desde 2015. A decisão emitida pela Justiça britânica abre caminho para possíveis indenizações bilionárias a mais de 600 mil atingidos entre moradores, empresas, municípios e comunidades tradicionais.

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— Hoje pra mim o sentimento é de gratidão principalmente a Deus porque eu nunca perdi a fé — disse Gelvana Rodrigues, mãe de Thiago Damasceno, de 7 anos, que foi arrastado e morto pelos rejeitos, em uma coletiva de imprensa pelo escritório de advocacia Pogust Goodhead, que representou as vítimas e o município de Mariana. — Foi a noite mais longa da minha vida e a justiça prevaleceu, meu filho agora vai poder descansar em paz.

A sentença encerra a primeira fase de um julgamento que se estendeu nos tribunais do Reino Unidos entre outubro de 2024 e março de 2025, no qual vítimas, peritos e autoridades brasileiras relataram, em detalhes, as falhas que antecederam o colapso da barragem operada pela Samarco, controlada por BHP e Vale. A Justiça britânica concluiu que o “unsafe raising” — o alteamento inseguro da estrutura — foi a causa direta do desastre.

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Agora, as partes aguardam o início a segunda etapa do processo, que inclui a quantificação dos danos. Segundo a advogada brasileira Caroline Narvaez, que colaborou com a defesa das vítimas, a nova fase do julgamento está prevista para começar em outubro de 2026 e se estender por cerca de seis meses.

O atual prefeito de Mariana, Juliano Duarte (PSB), que participou do processo desde a fase inicial, classificou o momento como “histórico”, e parabenizou o poder municipal por não ter aceitado um acordo firmado por autoridades brasileiras no início do julgamento no valor de R$ 132 bilhões (cerca de US$ 25 bilhões).

— Que possamos avançar na definição dos valores — celebrou. — Sofremos pressão para assinar e não assinamos, fomos atrás de justiça.

Na mesma época do acordo, a Justiça brasileira absolveu as empresas alegando que as provas analisadas não foram “determinantes” para estabelecer a responsabilidade, o que motivou a entrada do processo no judiciário britãnico. No pedido encaminhado pelo escritório ao tribunal londrino, é reivindicado o valor de 36 bilhões de libras (mais de R$ 251 bi) em indenizações por danos e prejuízos. Na coletiva, Narvaez ressaltou, no entanto, que o montante final ainda será definido.

Apesar das cifras bilionárias, Gelvana afirmou já se sentir vingada apenas com a condenação.

— A vida do meu filho não tinha preço. Ele não estava à venda. Só de ser condenado, para mim, isso já é justiça.

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