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Republika Srpska, na Bósnia, vota para eleger um novo presidente em eleições antecipadas

Republika Srpska, na Bósnia, vota para eleger um novo presidente em eleições antecipadas

Republika Srpska, na Bósnia, vota para eleger um novo presidente em eleições antecipadas

De&nbspEuronews

Publicado a

A entidade da Republika Srpska (RS) da Bósnia-Herzegovina realizará as suas eleições presidenciais no domingo, depois da Comissão Eleitoral Central, a nível estatal, ter marcado a votação na sequência da destituição do agora ex-presidente Milorad Dodik.

O tribunal da Bósnia-Herzegovina revogou o mandato de Dodik após considerá-lo culpado de desafiar as decisões do Alto Representante.

Dodik foi condenado a uma pena de um ano de prisão, convertida em multa, estando ainda proibido de exercer atividade política durante seis anos. O caso desencadeou uma crise política de meses no país, considerada a pior desde o fim da guerra na antiga República da Jugoslávia em 1995.

Dodik, que apoiou o candidato do seu partido no poder, SNSD, Siniša Karan, referiu, num comício de apoio a Karan, que “a vontade do povo é o que mais importa”.

Criticou igualmente o governo de Sarajevo, afirmando que este pretende “devastar” a entidade de maioria sérvia.

“Estamos a defender a liberdade da Republika Srpska, protegendo a sua dignidade; somos nós que estamos a construir a Republika Srpska, que não permitiremos que os investimentos parem. Somos o garante da estabilidade e da segurança de todas as famílias da RS“, declarou Dodik.

Do combate à corrupção à proteção dos recursos naturais

O candidato da oposição Branko Blanuša, do Partido Democrático Sérvio (SDS), **centrou a sua campanha nas questões relacionadas com a corrupção. “**Posso olhar nos olhos de todos os cidadãos da Republika Srpska, independentemente da sua religião ou nacionalidade”, afirmou Blanuša.

Quatro outros candidatos estão nesta corrida eleitoral: Igor Gašević, Slavko Dragičević, Dragan Đokanović e Nikola Lazarević. Gašević e Dragičević não responderam aos pedidos da comunicação social. Đokanović tem-se concentrado nas questões relacionadas com os veteranos, enquanto Lazarević tem feito campanha pela proteção dos recursos naturais.

“O que está a ser levado a cabo é uma atividade criminosa abrangente […], consequência de uma educação imposta e de uma sociedade degradada. Nos últimos anos, começaram a vender os valiosos recursos naturais”, declarou Lazarević.

Os membros da oposição afirmam que Blanuša lidera as sondagens, enquanto o SNSD contesta os dados.

O grupo de monitorização eleitoral “Pod Lupom” registou irregularidades que a Comissão Eleitoral Central da Bósnia não classificou como violações.

A eleição ocorre quase exatamente 30 anos após a assinatura do Acordo de Paz de Dayton.

O acordo, assinado em novembro de 1995, pôs fim à guerra entre os três principais grupos étnicos do país – bósnios, sérvios e croatas – que teve início em 1992, durante a dissolução da antiga Jugoslávia, e que foi considerado o conflito mais sangrento em solo europeu desde a Segunda Guerra Mundial.

O acordo de paz, partes do qual operam como a Constituição do país, dividiu o país em duas unidades administrativas principais, ou entidades: a Republika Srpska, de maioria sérvia, e a Federação Bósnio-Croata da Bósnia-Herzegovina (FBiH), parcialmente supervisionadas por um governo de cúpula a nível estatal.

A Bósnia é um dos seis países dos Balcãs Ocidentais candidatos à adesão à UE, tendo obtido o estatuto de candidato em dezembro de 2022. No entanto, ainda não iniciou negociações com Bruxelas para a sua adesão plena.

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