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Casal de bolsonaristas acusa MP de recolher seus filhos por falta de vacinação

Casal de bolsonaristas acusa MP de recolher seus filhos por falta de vacinação

Casal de bolsonaristas acusa MP de recolher seus filhos por falta de vacinação

Sede do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS). Foto: Divulgação

O casal de bolsonaristas Douglas e Paola Kalaitzis está acusando o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) de recolher seus filhos, de 1 e 4 anos, e levá-los a um abrigo por falta de vacinação. Os dois são antivax e militam contra a obrigatoriedade da imunização nas redes.

Eles moram em Arroio Grande, na Costa Doce do Rio Grande do Sul, e dizem que as crianças foram levados à Casa de Passagem Novo Amanhecer após determinação judicial. A decisão seguiu requerimento do MPRS, que apontou risco à saúde e ao bem-estar das crianças.

No entanto, tanto o Ministério Público quanto a Prefeitura de Arroio Grande esclareceram que o caso não tem relação com a recusa dos pais em vacinar os filhos contra a Covid-19, como o casal afirma. Segundo Douglas e Paola, eles não vacinaram os filhos por recomendação médica.

Eles alegam que um profissional habilitado orientou a suspensão temporária da vacinação devido a reações adversas anteriores. O casal chegou a recorrer da decisão, mas o recurso foi negado, e as crianças continuaram sob a guarda do abrigo.

A Casa de Passagem Novo Amanhecer e a Prefeitura de Arroio Grande divulgaram uma nota conjunta, reforçando que a retirada das crianças foi uma medida legal e pautada na proteção integral de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade, conforme o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Douglas e Paola Kalaitzis ao lado das crianças. Foto: Reprodução

“Nenhuma criança ou adolescente é acolhida por motivos isolados ou arbitrários, como questões pontuais de vacinação. As decisões de acolhimento são técnicas, legais e fundamentadas, tendo como único objetivo a proteção integral da criança ou do adolescente”, diz a nota.

Eles afirmam que não vão divulgar o motivo do acolhimento das crianças por “respeito ao direito à privacidade e à preservação da identidade das crianças e adolescentes acolhidos”.

O MP reiterou que “não há relação entre o acolhimento e a negativa de vacinação contra a Covid-19” e que não vai divulgar detalhes do caso por “segredo de justiça, já que o processo envolve crianças, cuja proteção integral deve prevalecer sobre qualquer interesse externo”.

“O acolhimento das crianças, requerido pelo MPRS e determinado pelo Judiciário, que já negou recursos apresentados pelos pais, decorre de situações que colocam em risco a vida e a saúde delas”, prossegue o órgão em nota.

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