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27% da população de rua do Brasil está na capital paulista, segundo dados da UFMG

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Em 2025, mais de 101 mil pessoas viviam nas ruas da cidade de São Paulo. Isso representa 27% dos 365 mil brasileiros sem moradia. 

Os dados são do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua (OBPopRua), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que, desde 2021, acompanha essa parcela da população e identifica um crescente aumento no número de pessoas desabrigadas, sobretudo nos últimos três anos. 

Em números absolutos, São Paulo lidera o ranking de cidadãos vivendo nas ruas e fica em segundo lugar entre as capitais brasileiras no proporção de números de moradores em situação de rua em relação a população do estado.  Com quase 12 milhões de pessoas, a capital paulista concentra a maior população do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desses, 0,85% não têm residência. 

A maior proporção está Boa Vista, representando 2% da população de Roraima, estado que é porta de entrada para venezuelanos no Brasil.

Os dados são coletados a partir dos registros oficiais do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), alimentados pelas prefeituras e enviados para o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). O sistema é atualizado mensalmente, para realização dos repasses de recursos para a implantação das políticas sociais no país, conforme explica o professor André Luiz Freitas Dias, coordenador do Observatório e do programa Polos de Cidadania da UFMG.

“A precarização das condições de vida de populações já vulnerabilizadas, como as pessoas em situação de rua, foi agravada com a pandemia da Covid-19”, explica o professor. 

Ele lista outros fatores para esse aumento, como a ausência ou insuficiência histórica de políticas públicas estruturantes voltadas à população em situação de rua, “maioritariamente negra no Brasil”, diz. 

O relatório aponta ainda a crise climática como um fator de aumento da população vulnerável, uma vez que eventos extremos, como fortes chuvas, obrigam pessoas a deixarem suas casas. 

Nos anos de 2021 e 2022, quando estava em vigência a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 828, que suspendia remoções forçadas no período da pandemia da Covid 19.

Estado de SP lidera ranking

Com relação aos dados por estado, São Paulo lidera o ranking e concentra 45% da população de rua do país, com mais de 150 mil pessoas sem ter onde morar. Isso representa 0,33% da população do estado. 

Na análise sobre o crescimento percentual no período analisado – entre 2020 e 2025 – o estado teve um aumento total de 82% no número de pessoas vivendo nas ruas. Em 2020, eram 83.074 desabrigados e, em 2025, o estado precisa lidar com o número alarmante de 150.958 cidadãos sem lar.

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