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Onde serão as próximas operações em favelas do Rio após massacre

Onde serão as próximas operações em favelas do Rio após massacre

Onde serão as próximas operações em favelas do Rio após massacre

Policiais durante operação contra o Comando Vermelho no Rio. Foto: EPA

O governador Cláudio Castro afirmou que 10 novas megaoperações policiais já estão programadas no Rio de Janeiro, em modelo semelhante ao das ações nos complexos do Alemão e da Penha, que deixaram 121 mortos na semana passada. Segundo informações divulgadas pelo colunista Lauro Jardim do jornal O Globo, favelas como Rocinha, Cidade de Deus, Complexo da Maré e Complexo de Israel já têm autorizações judiciais para incursões.

O governo também planeja ocupar comunidades em Jacarepaguá em dezembro e iniciar, já na próxima semana, incursões diárias na Zona Sudoeste e na Baixada Fluminense para retirada de barricadas. O secretário de Segurança Pública, Victor dos Santos, evitou confirmar quais favelas entrarão nas próximas operações, mas afirmou que os inquéritos que identificam chefes do tráfico e grupos criminosos estão avançados.

A Rocinha, em especial, é vista como ponto estratégico do Comando Vermelho e é comparada ao Alemão e à Penha em termos de estrutura e capacidade de resistência. Segundo o secretário, a região funciona como um dos principais entrepostos de drogas da facção e abriga criminosos de outros estados.

Em junho, cerca de 400 traficantes do Ceará e do Rio fugiram pela mata durante uma ação policial. Santos citou ainda um episódio em que criminosos cearenses instalados na comunidade chegaram a influenciar eleições municipais, evidenciando a força da organização.

Segundo o governo estadual, a favela está protegida por cerca de 800 traficantes, divididos em setores para facilitar a estrutura de poder do Comando Vermelho. O chefe local, Johnny Bravo, controla a parte inferior da comunidade, mas teria “arrendado” áreas da parte superior a grupos do Ceará, que ocupam uma mansão com piscina e vista para o mar. O lado direito da parte alta estaria sob comando de Wilton Carlos Rabello Quintanilha, o Abelha.

Operação na Favela da Muzema em 2024. Foto: Domingos Peixoto

O secretário afirmou que, além das operações, é essencial seguir o fluxo financeiro das facções. Ele disse que o governo federal fornecerá analistas para rastrear transações e reforçar o combate à entrada de armas, especialmente fuzis, no estado. A medida foi combinada em reunião recente com o secretário nacional de Segurança Pública, Mário Sarrubbo.

As ocupações permanentes fazem parte de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) dentro da ADPF das Favelas, que determina que o estado apresente até 20 de dezembro um plano de “reocupação territorial”. Órgãos do governo foram convocados a informar equipamentos públicos e projetos existentes em Gardênia Azul, Muzema e Rio das Pedras, comunidades priorizadas para essa política.

Gardênia e Muzema, historicamente dominadas pela milícia, foram recentemente tomadas pelo Comando Vermelho. Já Rio das Pedras, uma das maiores favelas do país e berço da milícia no Rio, segue sob domínio paramilitar. A Secretaria de Segurança criou um grupo de trabalho para elaborar e monitorar o plano territorial pelos próximos 60 dias, prorrogáveis por mais 60.



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