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Cáritas Ucrânia: ataques à infraestrutura energética provocam drama humanitário em Kiev

Cáritas Ucrânia: ataques à infraestrutura energética provocam drama humanitário em Kiev

Cáritas Ucrânia: ataques à infraestrutura energética provocam drama humanitário em Kiev

Cáritas Ucrânia: infraestrutura energética atacada provoca crise humanitária em Kiev


A previsão da agência meteorológica estatal da Ucrânia indica uma brusca queda nas temperaturas nos próximos dias, enquanto Kiev corre para restaurar os serviços de aquecimento e eletricidade. De acordo com o Centro Hidrometeorológico da Ucrânia, entre 1º e 3 de fevereiro, as temperaturas noturnas podem chegar a -30 graus Celsius em algumas regiões do país. Oleksandr Magdalits, especialista em resposta a emergências da Cáritas Ucrânia, descreve o impacto sério provocado pela guerra na capital.

Em meio a uma das mais graves crises energéticas desde o início do conflito em grande escala, a Ucrânia enfrenta danos significativos em sua infraestrutura energética devido a uma série de ataques com mísseis e drones. Essa situação é agravada pela queda abrupta das temperaturas. Em entrevista à mídia do Vaticano, Oleksandr Magdalits, gerente de programas para segurança alimentar e resposta a emergências da Cáritas Ucrânia, aborda a situação e os esforços solidários realizados pela Igreja Greco-Católica.

Qual é a situação atual em Kiev diante da crise energética?

Segundo dados em constante atualização, mais de 1.100 edifícios residenciais estão sem aquecimento, com interrupções parciais no fornecimento de eletricidade e danos em várias fontes de abastecimento. Estima-se que meio milhão de habitantes da capital e região metropolitana sejam afetados pela crise. A restauração urgente do fornecimento de energia para Kiev e arredores não pode ser assegurada apenas com recursos locais, tanto a curto quanto a médio prazo. A expectativa é que a normalização da eletricidade e do aquecimento não ocorra nos próximos meses. Além disso, a falta de energia e aquecimento levou ao congelamento dos sistemas de esgoto em alguns edifícios, privando-os de saneamento básico até o verão. Hospitais, creches e escolas estão desconectados total ou parcialmente da rede elétrica, buscando fontes alternativas de energia sempre que possível. A situação mais crítica afeta pessoas com deficiência, idosos que vivem sozinhos e famílias com crianças pequenas, muitos dos quais estão inacessíveis devido à concentração dos serviços de assistência em locais públicos, deixando apartamentos desassistidos. Imagens mostram estalactites de gelo nas escadas dos prédios, onde pessoas com limitações físicas estão confinadas.

Como estão sendo realizados os esforços para alcançar essas pessoas? Existem linhas telefônicas de emergência disponíveis?

Embora haja linhas de emergência, a dificuldade de contato devido à necessidade de assistência imediata para cerca de 500.000 pessoas torna o acesso aos serviços de emergência extremamente desafiador. Por isso, prioriza-se o apoio direto onde é possível, fortalecendo os serviços sociais e atuando de forma coordenada. Esta crise energética representa um desafio significativo para a proteção dos mais vulneráveis em todo o país, tornando a logística mais complexa devido à dificuldade no transporte ferroviário e na assistência às pessoas necessitadas. O apelo é por apoio financeiro e material, pois muitos estão sem recursos essenciais para sobreviver, como alimentos que não podem ser preparados devido à falta de energia, água que não pode ser aquecida e roupas quentes inúteis em ambientes com temperaturas extremamente baixas, colocando em risco a saúde das pessoas.

Esta é considerada a crise energética mais severa para Kiev e região desde o início do conflito em grande escala?

A magnitude desta crise aumentou consideravelmente devido às condições de inverno. Situação semelhante ocorreu no início da invasão em grande escala em 2022 e se repete hoje. Trata-se de uma séria violação do direito internacional, evidenciando uma pressão deliberada sobre a população civil, com conhecimento de que os mais vulneráveis serão os mais afetados. É uma estratégia consciente e cruel de infligir sofrimento.

De 21 a 31 de janeiro, associações ucranianas e a diáspora estão arrecadando fundos para comprar e enviar geradores e baterias para áreas afetadas pela crise energética.

Como os hospitais e unidades de saúde estão lidando com essa situação? Considera-se a possibilidade de evacuação?

Os hospitais estão fazendo o possível com os recursos disponíveis, muitos contando com geradores para eletricidade, mas enfrentando desafios significativos no aquecimento, uma vez que nem todos possuem sistemas próprios. Algumas instituições buscam colaboração com autoridades locais e organizações beneficentes para apoio. Quanto à evacuação, embora seja uma ideia positiva, na prática não há locais disponíveis para transferência de pacientes, já que unidades geriátricas e instituições especializadas já estavam sobrecarregadas antes da crise. O sistema de saúde enfrenta uma carga adicional devido a casos de hipotermia, lesões por quedas no gelo e agravamento de doenças crônicas, resultando em prontos-socorros sobrecarregados. Em resposta a essa emergência, Estado e instituições públicas buscam colaborar para enfrentar a crise de forma conjunta.

Como a Caritas Ucrânia está auxiliando as pessoas nessa situação?

Diariamente, são realizadas reuniões de coordenação envolvendo autoridades estaduais, Serviço Estadual de Emergência, Ministério da Política Social e organizações da sociedade civil, incluindo a Cáritas. Em Kiev, mais de quarenta “pontos de acolhimento” foram instalados pelo SES, enquanto a Guarda Nacional abriu mais de dez. Autoridades estabeleceram outras dez instalações em diversos bairros da cidade, proporcionando abrigo, alimentação e assistência básica. A Caritas participa ativamente desses centros, além de colaborar com paróquias greco-católicas para fornecer refeições quentes. A distribuição já começou em cinco pontos em Kiev e em três localidades da região. A necessidade se estende para além da capital, afetando toda a região e outras partes do país, como Kharkiv, onde até 70% da região está sem eletricidade e onde a Caritas também está presente.

Em relação à urgência de ajuda material, o que é mais prioritário neste momento?

Geradores, sacos de dormir, baterias portáteis, cobertores térmicos, garrafas térmicas, lanternas recarregáveis, cozinhas de campanha e barracas são itens urgentemente necessários para atender às demandas das pessoas afetadas. O apoio de qualquer forma é valorizado e a entrega é realizada de forma ágil para atender às necessidades dos mais vulneráveis.

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