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Mulher que nasceu sem útero dá à luz após transplante

Mulher que nasceu sem útero dá à luz após transplante

Mulher que nasceu sem útero dá à luz após transplante

Título: Mulher que nasceu sem útero dá à luz após transplante

Um acontecimento que parecia ser irreal se tornou concreto e já está sendo reconhecido como um dos principais avanços da medicina reprodutiva moderna. Pela primeira vez no Reino Unido, um bebê veio ao mundo depois que a mãe recebeu um útero transplantado de uma doadora falecida, trazendo esperança para milhares de mulheres com diagnóstico de infertilidade uterina absoluta.

O parto ocorreu em Londres, no Queen Charlotte’s & Chelsea Hospital, e ganhou destaque internacional ao ser divulgado por veículos como o The Guardian.

A mãe, Grace Bell, nasceu com a rara síndrome de Mayer-Rokitansky-Küster-Hauser (MRKH), uma condição que impede o desenvolvimento do útero, apesar de possuir ovários funcionais.

Desde a adolescência, Grace sabia que não poderia engravidar naturalmente. O diagnóstico costuma ser devastador para as pacientes, pois a ausência do útero inviabiliza a gestação. Durante muito tempo, as únicas opções eram a adoção ou a gestação por barriga de aluguel. Contudo, a ciência alterou esse cenário.

Cirurgia abre caminho para a gravidez

Em 2024, Grace foi submetida a uma cirurgia complexa e altamente delicada, na qual recebeu o útero de uma doadora recentemente falecida. O procedimento envolveu uma equipe multidisciplinar composta por cirurgiões, especialistas em transplantes, fertilidade e imunologia. Após a recuperação e um acompanhamento rigoroso para prevenir a rejeição do órgão, deu-se início à fertilização in vitro (FIV).

Os embriões haviam sido gerados previamente com os próprios óvulos de Grace. Após a confirmação de que o novo útero estava funcionando adequadamente, um embrião foi transferido. Meses mais tarde, veio a confirmação de uma gravidez tão aguardada.

Gravidez monitorada e marco histórico

O período gestacional foi acompanhado de perto. Devido ao transplante, a paciente precisou manter o uso de medicamentos para evitar a rejeição do órgão, demandando um acompanhamento minucioso. No entanto, a gravidez transcorreu sem grandes complicações.

O bebê, batizado de Hugo, nasceu saudável por cesariana. Este acontecimento não apenas marcou o nascimento de uma criança, mas também representou um marco na medicina do Reino Unido e no debate global sobre fertilidade e transplantes.

Embora o primeiro nascimento do mundo após um transplante de útero tenha ocorrido na Suécia em 2014, utilizando uma doadora viva, este caso se destaca pelo uso de um órgão proveniente de uma doadora falecida. Essa abordagem amplia significativamente as possibilidades, aumentando o potencial de doações e reduzindo os riscos para doadoras vivas.

Especialistas afirmam que o procedimento ainda é considerado experimental, porém os resultados são cada vez mais promissores. Estima-se que milhares de mulheres em todo o mundo enfrentem a infertilidade uterina devido a malformações congênitas, cirurgias oncológicas ou complicações médicas.

Próximos passos

Após o nascimento, os médicos acreditam que o útero transplantado poderá ser removido futuramente, permitindo que Grace interrompa o uso dos medicamentos, uma prática comum nesses protocolos, já que o transplante tem um caráter temporário com o objetivo reprodutivo.

O caso rapidamente se tornou viral nas redes sociais por combinar ciência, superação e emoção.

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