Plásticos retirados dos mares viram objetos de decoração | Imóveis de Valor
Objetos de decoração sustentáveis feitos a partir de plástico retirado dos oceanos estão ganhando destaque em feiras, exposições e ambientes corporativos e residenciais. Esse movimento é impulsionado por marcas e designers comprometidos com a causa ambiental, que transformam resíduos em criações capazes de sensibilizar o público para a urgência desse tema.
O cenário dos rios, lagos e mares é alarmante. Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), cerca de 11 milhões de toneladas de plástico são despejadas nos ambientes aquáticos do planeta anualmente. Deste total, 80% são copos, garrafas, sacolas e canudos descartados após um único uso, demorando décadas ou até séculos para se decompor naturalmente.
Mantendo esse ritmo, a quantidade de plástico nos oceanos triplicará até 2040. O impacto na vida marinha e costeira é severo, afetando mais de 800 espécies animais devido a essa forma de poluição.
Diante desse panorama, a iniciativa de designers ao redor do mundo se torna não apenas louvável, mas também essencial. Na próxima edição da SP-Arte, em abril, os visitantes poderão apreciar uma “chaise” desenvolvida pelo Estúdio Fahrer exclusivamente para o evento. Essa peça possui estrutura de madeira multilaminada curvada, formas orgânicas e revestimento de trama feita com fios plásticos reciclados pela empresa Punto & Filo.
“É um material têxtil 100% regenerado, em grande parte proveniente de resíduos como redes de pesca retiradas do fundo do mar”, afirma Sergio Fahrer, sócio-proprietário do estúdio. Ele explica que o nylon passa por um processo de regeneração em nível molecular, retornando ao seu estado original de matéria-prima, livre de impurezas.
Para Fahrer, essa proposta reflete a demanda atual por sustentabilidade de qualidade. “No mercado de mobiliário e design atual, observa-se uma crescente valorização da sustentabilidade, que deixou de ser apenas um atributo adicional e passou a integrar a percepção de valor e o posicionamento da marca”, destaca.
Na área de tecelagem, a By Kamy Tapetes apresenta uma coleção que utiliza o econyl, um fio sustentável feito com plástico recolhido de aterros e oceanos. A coleção “Nylon” oferece tapetes em diversos formatos, cores, texturas e relevos, podendo ser personalizados com desenhos escolhidos pelos clientes e fabricados sob encomenda. A densidade, altura dos fios e detalhes como pelo cortado, ponto “bouclé” e acabamento esculpido podem ser escolhidos sob consulta.
No setor de mobiliário corporativo, a empresa norte-americana Herman Miller tem investido em produtos sustentáveis, como a cadeira “Sayl”, feita com resíduos reciclados, e a “Aeron”, que possui metade de sua composição proveniente de plástico retirado dos oceanos.
Além disso, a coleção de mobiliário “OE1 Workplace” da Herman Miller incorpora material coletado em áreas costeiras antes de atingir o oceano. Esse material reciclado é utilizado em componentes específicos, contribuindo para a redução da poluição marinha e do uso de plásticos virgens. A empresa é uma das fundadoras da NextWave Plastics, um consórcio que trabalha no desenvolvimento da primeira rede global de cadeias de suprimentos de plástico retirado dos oceanos.
“De 2017 a 2025, evitamos que 53 toneladas de plástico chegassem aos mares, e continuaremos transformando esses resíduos em novos materiais para produção”, declarou Gabe Wing, vice-presidente de Sustentabilidade da MillerKnoll. Já a Vestre, especializada em mobiliário para áreas externas e urbanas, desenvolveu o banco “Coast”, com estrutura em aço e assento feito de plástico retirado das praias da Noruega, onde a empresa está localizada. Esse material é rastreado e registrado na blockchain, permitindo sua localização mesmo após ser transformado em móvel.


