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Estudantes de escola pública do município de Alcântara integram missão de satélite lançado ao espaço no Maranhão

Estudantes de escola pública do município de Alcântara integram missão de satélite lançado ao espaço no Maranhão

Estudantes de escola pública do município de Alcântara integram missão de satélite lançado ao espaço no Maranhão

Projeto realizado no Centro Educa Mais

Estudantes do Centro Educa Mais (CEM) Professor Aquiles Batista Vieira, instituição de Ensino Médio Integral em Tempo Integral em Alcântara, Maranhão, participaram do lançamento de um satélite da base espacial local, transformando a experiência científica em um marco para seus projetos futuros. O projeto foi desenvolvido dentro do modelo integral, que proporcionou tempo, orientação pedagógica e espaço para aprofundamento das atividades.

O projeto Cientistas de Alcântara foi coordenado pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com apoio de entidades parceiras como a Fundação Sousa Andrade e a Agência Espacial Brasileira. Inicialmente, a iniciativa envolveu 20 estudantes bolsistas do Ensino Médio Integral, juntamente com professores da escola.

Durante o ano de 2024, os jovens receberam capacitação em satélites, programação, uso de sensores e análise de dados. Posteriormente, o projeto foi expandido com a criação da disciplina eletiva Ciência Cidadã, envolvendo cerca de 40 estudantes dos três anos do Ensino Médio Integral.

A professora de Química Giulia Mara Silva e Souza, que acompanhou todas as etapas do projeto na escola, explicou que os estudantes participaram desde a formação técnica até a programação do satélite destinado ao foguete lançado em dezembro. Ela ressaltou que o aspecto mais significativo da experiência foi o processo formativo.

“O envolvimento dos estudantes foi fundamental. Eles estiveram presentes em todas as etapas, desde a formação até a programação e o envio de mensagens a serem transmitidas pelo satélite”, afirmou.

O lançamento ocorreu na base de Alcântara. Apesar de o foguete ter saído da trajetória planejada e sido destruído antes de atingir a órbita, a professora destacou que a experiência consolidou conhecimentos técnicos e ampliou horizontes acadêmicos.

“No dia do lançamento, alguns estudantes até choraram. O foguete não alcançou a órbita, mas o aprendizado adquirido ao longo do processo foi enorme. Eles deixaram de se ver apenas como habitantes de uma cidade com uma base espacial e passaram a se reconhecer como parte ativa desse universo científico”, enfatizou.

Participação ativa dos jovens e aprendizado prático – No Ensino Médio Integral, a escola implementou a disciplina Ciência Cidadã, idealizada pela professora Ana Maria Bender Seidenfuss das Neves, para dar continuidade ao projeto. Essa disciplina integrou a formação em satélites com ações de monitoramento ambiental local, permitindo que os estudantes aplicassem conceitos de matemática, física e tecnologia em situações reais.

Essa experiência concretizou a importância do aprendizado prático, ao unir teoria e prática no dia a dia da comunidade. Os estudantes realizaram medições ambientais, organizaram dados em planilhas e apresentaram resultados em eventos científicos.

Segundo a professora Giulia, o sistema de ensino em tempo integral foi crucial para o sucesso da experiência.

“A permanência durante todo o dia na escola e o acompanhamento próximo possibilitaram esse aprofundamento. O progresso dos estudantes é resultado de diversos fatores, mas o Ensino Médio Integral amplia oportunidades e horizontes”, afirmou. O protagonismo juvenil, outro pilar do ensino integral, foi evidenciado pela atuação dos próprios estudantes na elaboração da disciplina, no planejamento das atividades e na distribuição de responsabilidades.

Projetos futuros e ingresso no ensino superior – A vivência influenciou diretamente as escolhas acadêmicas dos participantes. Fernando Guimarães, de 19 anos, ingressou no projeto quando estava no segundo ano e foi aprovado em Engenharia Mecânica na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). O estudante destacou que sua postura em relação aos estudos mudou ao longo do ensino médio integral.

Anne Vitória Ribeiro, de 18 anos, também participou do projeto desde o segundo ano e optou por cursar o Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Ela mencionou que o contato com a formação científica contribuiu para estruturar seus planos acadêmicos.

Cerca de 60 estudantes estiveram envolvidos nas atividades relacionadas ao projeto na escola, demonstrando o impacto positivo da iniciativa na instituição pública.

Ensino Médio Integral – O Ensino Médio Integral é uma proposta pedagógica moderna, nacional, pública e gratuita. Com uma abordagem que se conecta à realidade dos jovens e ao desenvolvimento de suas habilidades cognitivas e socioemocionais, ele busca a formação integral dos estudantes. Os pilares como projeto de vida, aprendizado prático, protagonismo juvenil, acolhimento, orientação de estudos e disciplinas eletivas promovem uma formação completa dos estudantes, complementando os componentes curriculares da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e das unidades curriculares da formação diversificada. Atualmente, o modelo está presente em aproximadamente 6 mil escolas em todo o país, beneficiando mais de 1 milhão de estudantes.

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