A eleição de 2026 passa pelas mulheres – Meio
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Toda reeleição é uma avaliação do passado. A questão central não é quem promete o futuro mais atraente, mas se a experiência recente merece continuidade.
Nesse sentido, a campanha de 2026 começa a se diferenciar entre homens e mulheres. De acordo com a pesquisa Meio/Ideia de março, surge um contraste evidente. Entre os homens, a diferença entre aqueles que acreditam que o presidente merece continuar e os que preferem uma mudança é de 14,5 pontos a menos: 41,8% apoiam a continuidade de Lula; 56,3% preferem uma mudança. Já entre as mulheres, a situação se inverte, com uma diferença positiva de 5,9 pontos: 51,3% defendem a continuidade e 45,4% desejam encerrar o ciclo.
A aprovação segue o mesmo padrão. Entre os homens, a diferença entre aprovação e desaprovação é de 13,8 pontos a menos. Entre as mulheres, essa diferença é positiva em 6,4 pontos. Enquanto os homens tendem mais à mudança, as mulheres ainda concedem espaço para a estabilidade.
No cenário de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a divisão de opiniões por gênero volta a aparecer. Flávio Bolsonaro lidera entre os homens com uma vantagem de 8,2 pontos. Já Luiz Inácio Lula da Silva abre uma diferença de 11,5% entre as mulheres. Como as mulheres representam cerca de 53% do eleitorado, essa vantagem feminina possui um peso estratégico.
Há ainda 20,8% de eleitoras indecisas na intenção de voto espontânea, um contingente maior do que a margem masculina que prefere a interrupção. Se Lula conquistar a maioria desse grupo, ele transformará sua vantagem relativa em uma maioria nacional. Por outro lado, se Flávio conseguir reduzir a rejeição entre as mulheres e capturar parte dessas indecisas, o jogo será reaberto. Esta é a equação crucial da eleição.
Embora seja comum a suposição de que as mulheres, por valorizarem mais políticas públicas, sejam majoritariamente de esquerda, os dados não sustentam essa conclusão. A demanda por intervenção estatal geralmente está mais ligada à gestão prática do dia a dia do que a uma posição ideológica, especialmente em áreas como renda, saúde, educação e segurança.
Os candidatos precisam explorar esses temas em suas campanhas.
Para Flávio, o desafio é reduzir a rejeição entre as mulheres, o que implica mudar o foco para questões como custo de vida, segurança e saúde, além de destacar diferenças em relação ao estilo político que gerou resistência entre as mulheres durante a pandemia.
Já para Lula, o desafio é ampliar uma vantagem que ainda é relativa. Isso requer reforçar a percepção de estabilidade econômica no cotidiano, especialmente em relação aos preços dos alimentos e ao custo de vida, combinando proteção social com oportunidades econômicas, inclusive para mulheres empreendedoras.
Em eleições disputadas, pequenas diferenças podem definir grandes resultados. Em 2026, essas diferenças têm gênero, magnitude e importância numérica.


