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Stone demite cerca de 370 pessoas; sindicato vai à Justiça pedir reintegração | Finanças

Stone demite cerca de 370 pessoas; sindicato vai à Justiça pedir reintegração | Finanças

Stone demite cerca de 370 pessoas; sindicato vai à Justiça pedir reintegração | Finanças

A Stone demitiu ontem cerca de 370 colaboradores. A empresa não confirma o número exato, que foi estimado com base em relatos internos. Após as demissões, o Sindicato dos Trabalhadores em Tecnologia da Informação do Estado de São Paulo (SINDPD) decidiu entrar com uma ação coletiva na Justiça solicitando a reintegração dos profissionais dispensados.

As demissões ocorreram menos de duas semanas depois da conclusão da venda da Linx pela Stone para a Totvs. Considerando que a empresa tinha entre 12 mil e 15 mil funcionários, os cortes representaram aproximadamente 3% do quadro total e impactaram diversas áreas.

Em comunicado, a Stone explicou que a decisão foi tomada visando a “otimização da eficiência”. “Realizamos ajustes pontuais na estrutura como parte do processo contínuo de simplificação e melhoria da eficiência. Nossas operações seguem normalmente, sem impacto para clientes ou parceiros.”

Por outro lado, o SINDPD classificou as demissões como “dispensa em massa”. O sindicato alega que as demissões coletivas ocorreram durante as negociações do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) e sem diálogo prévio com a entidade sindical.

Na ação movida recentemente na Justiça do Trabalho de São Paulo, além de buscar a reintegração imediata dos trabalhadores, o sindicato também solicita a suspensão de futuras demissões em massa sem prévia negociação. A ação foi direcionada às empresas Buy4 Processamento de Pagamento, Pagar.me Pagamentos, TAG Tecnologia para o Sistema Financeiro e Stone Cartões Instituição de Pagamento, que fazem parte do grupo empresarial Stone.

“Fomos surpreendidos com a conduta premeditada de dispensar aproximadamente 400 colaboradores sem consulta prévia à entidade sindical e durante as negociações do acordo coletivo de trabalho de 2026”, afirmou o sindicato no documento obtido pelo Valor.

O sindicato argumenta que as demissões podem ter afetado trabalhadores com estabilidade no emprego ou proteção legal, como pessoas com deficiência (PCDs) e funcionários afastados. Denúncias recebidas indicam que houve desligamentos nessas condições.

“Informações coletadas até o momento apontam que houve desligamentos de colaboradores em licença médica e PCDs, conforme denúncias recebidas”, destaca a ação.

Alguns relatos apresentados pelo sindicato incluem um designer de conteúdo, um analista de suporte, um engenheiro de garantia de qualidade PCD, um engenheiro de software e um profissional de recrutamento e seleção em tratamento médico para uma doença grave.

A ação do sindicato também sugere que a reestruturação pode estar relacionada à redução de custos e à substituição de colaboradores por inteligência artificial (IA). O movimento é descrito como parte das transformações no setor de tecnologia.

“Observamos, assim como a mídia que tem abordado as demissões em massa no setor de TI, uma reestruturação com foco na redução de custos, eliminando empregos com salários mais altos para contratação com remunerações mais baixas e substituindo a força de trabalho por inteligência artificial”, destaca o documento.

O sindicato requer que a Justiça invalide as demissões em massa, ordene a reintegração dos trabalhadores dispensados e condene as empresas ao pagamento de indenizações individuais no valor de cinco salários para cada colaborador demitido. Além disso, a entidade solicita uma compensação por danos morais coletivos, não inferior a R$ 10 mil por funcionário, a ser destinada ao Fundo de Amparo ao Trabalhador ou outra instituição.

Maquininha de cartão da Stone — Foto: Divulgação

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