Stone pode se tornar alvo potencial de aquisição após venda de ativos, diz Citi | Finanças
A Stone pode se tornar um potencial alvo de aquisição após a venda de ativos, de acordo com o Citi. Em um relatório divulgado ontem à noite, o banco afirmou que a empresa pode despertar interesse de compradores estratégicos ou financeiros devido a uma estratégia mais voltada para a eficiência.
“Considerando os recentes desinvestimentos da Stone, juntamente com os retornos substanciais de capital aos acionistas e as oportunidades limitadas de reinvestimento em suas operações principais, além de uma notável desaceleração no crescimento do TPV (volume total de pagamentos), acreditamos que a empresa pode se tornar um alvo potencial de aquisição”, menciona o relatório.
No final de fevereiro, a Stone anunciou a conclusão da venda da Linx para a Totvs. O Citi observa que a companhia deve distribuir cerca de R$ 3,1 bilhões aos acionistas. De acordo com o cenário-base do banco, esse montante deve ser distribuído na forma de dividendos, possivelmente já no segundo trimestre, resultando em um retorno com dividendos estimado em 17%. Além disso, são esperados R$ 2,3 bilhões por meio da recompra de ações.
O relatório também destaca a recente redução de funcionários realizada pela empresa. Segundo o Citi, a demissão de aproximadamente 370 colaboradores, reportada pelo Valor, deve gerar cerca de R$ 80 milhões em economia anual antes de impostos, embora possa resultar em despesas pontuais no primeiro trimestre de 2026.
De acordo com o Citi, a Stone está seguindo em direção a uma estrutura operacional mais enxuta, priorizando eficiência e disciplina de capital em vez de expansões, o que a torna mais atrativa para potenciais compradores.
O banco aponta que o candidato mais natural seria o PagBank, um dos principais concorrentes da Stone. “Uma fusão entre as duas entidades resultaria em cerca de 20% do mercado, com foco forte em micro, pequenas e médias empresas (MPMEs) e exposição mínima a grandes clientes, beneficiando-se de portfólios de produtos complementares.”
Além disso, o Citi identifica potencial de sinergias operacionais significativas entre a Stone e o PagBank. “Após a integração, esperamos obter ganhos consideráveis de eficiência, devido à sobreposição entre as áreas comerciais, operacionais e tecnológicas.”
Outra possibilidade apontada no relatório é o iFood. Segundo o banco, uma aquisição pelo iFood poderia fortalecer a estratégia financeira da empresa dentro do ecossistema de restaurantes.
“Isso poderia ser benéfico para o iFood, permitindo a incorporação da infraestrutura de pagamentos e dos recursos bancários da Stone diretamente em seu ecossistema de restaurantes, convertendo efetivamente seus parceiros comerciais em clientes de serviços financeiros”, destaca o relatório.
O Citi também considera a possibilidade, embora menos provável, de uma aquisição pelo BTG Pactual. “A probabilidade parece menor, devido ao fato de o número de funcionários da Stone ser quase o dobro da força de trabalho atual do BTG, o que poderia criar uma distração gerencial significativa.”
Apesar disso, o banco avalia que as soluções da Stone voltadas para pequenas e médias empresas seriam complementares às ofertas atuais do BTG.
No relatório, o Citi mantém a recomendação de compra para as ações da Stone, com um preço-alvo de US$ 18 por papel. O banco estima um potencial de valorização de 30,3% para a ação e um retorno total de 47,7%, considerando os dividendos.


