Ministério Público vê Felipe Camarão em lavagem de dinheiro, mas pede apenas afastamento – Atual7
O Ministério Público do Maranhão solicitou o imediato afastamento do vice-governador Felipe Camarão (PT) devido a suspeitas de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro.
O pedido foi revelado pelo blog de Luís Pablo e confirmado pelo Atual7, sendo encaminhado ao Tribunal de Justiça em 3 de março. O desembargador Sebastião Bonfim assumiu a relatoria do caso após o desembargador Raimundo Barros se declarar suspeito.
Camarão não respondeu aos contatos da reportagem, mas nas redes sociais tem caracterizado o caso como um “vazamento criminoso” com motivação eleitoral.
A investigação contra o vice-governador é decorrente de um inquérito do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) sobre fraudes em placas de táxi envolvendo policiais militares no Maranhão. Relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) indicam movimentações financeiras suspeitas de ao menos dois PMs, parte das quais teria sido direcionada para contas bancárias de Felipe Camarão e seus associados, ou utilizada para pagamentos pessoais do político. Devido ao foro privilegiado, o caso foi encaminhado ao TJ-MA sob o número 0823288-17.2025.8.10.0000.
O Coaf, órgão federal de inteligência financeira vinculado ao governo federal, atualmente sob a gestão de Lula, identificou também o tenente-coronel Thiago Brasil Arruda e o major Alexandre Guimarães Nascimento como alvos do pedido de afastamento, devido a movimentações consideradas suspeitas.
Embora as transações monitoradas tenham um volume significativo, o Ministério Público solicitou apenas o afastamento dos investigados, enquanto investiga possíveis crimes relacionados à lavagem de dinheiro e à administração pública, como corrupção, fraude em licitação, peculato e uso indevido de recursos públicos.
O Tribunal de Justiça do Maranhão ainda não se pronunciou sobre o pedido. Os policiais militares Thiago Brasil Arruda e Alexandre Guimarães Nascimento não foram localizados pelo Atual7 para comentar sobre as suspeitas levantadas pelo Gaeco.
Em um documento de 60 páginas, o procurador-geral de Justiça descreve que a conta corrente principal de Felipe Camarão no Banco do Brasil movimentou R$ 16,1 milhões entre 2022 e 2025, sendo que apenas R$ 1,7 milhão tem origem comprovada em salários. A investigação aponta ainda para 230 depósitos em dinheiro vivo sem identificação do depositante, além de R$ 360 mil em valores fracionados abaixo de R$ 2 mil, prática conhecida como fracionamento, utilizada para dificultar o rastreamento da origem dos valores.
De acordo com o Gaeco, o tenente-coronel Thiago Brasil Arruda movimentou R$ 9,6 milhões entre maio de 2023 e novembro de 2024, apesar de uma renda mensal declarada de R$ 20,8 mil. O major Alexandre Guimarães Nascimento, por sua vez, teria movimentado R$ 10 milhões em 13 contas bancárias entre 2022 e 2025, sem declarar rendimentos ou bens em suas declarações de imposto de renda.
No final do ano passado, comunicadores maranhenses que abordaram a investigação contra Camarão foram censurados a pedido do tenente-coronel Thiago Brasil Arruda. O presidente do TJ-MA alegou falta de provas para retirar as publicações, embora dados abertos da corte e do STJ, conforme reportado pelo Atual7, desmentissem essa justificativa.


