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Jornada celebra a alfabetização de 30 mil educandos em áreas de reforma agrária: ‘Podemos agora resgatar o tempo perdido’

Jornada celebra a alfabetização de 30 mil educandos em áreas de reforma agrária: ‘Podemos agora resgatar o tempo perdido’

Jornada celebra a alfabetização de 30 mil educandos em áreas de reforma agrária: ‘Podemos agora resgatar o tempo perdido’

Por volta de 7 mil educandos comemoraram neste sábado (28) a formatura de mais de 30 mil estudantes da Jornada de Alfabetização de Jovens e Adultos, realizada no Recife (PE). Essa iniciativa, que ocorreu em áreas de reforma agrária e periferias do Nordeste e Sudeste, fez parte do Pacto de Superação do Analfabetismo e Qualificação de Jovens e Adultos, promovido pelo Ministério da Educação.

O projeto contou com o apoio do Mãos Solidárias, em parceria com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera).

Para muitos participantes, a formatura representa uma mudança significativa em suas vidas. Geni Otaviano do Santos, acampada no Acampamento São José, em Paulo Afonso (BA), celebra a conclusão da jornada.

“Eu não conseguia unir as letras para formar uma palavra. Vivendo em um acampamento, participava de lutas sem conseguir ler os folhetos, o material da militância. Sentia muita vergonha de me juntar aos outros companheiros. Agora, consigo unir as letras e formar palavras. Cresci e me sinto mais forte”, destaca.

Uma experiência similar foi compartilhada por José Francisco Maia, de 67 anos, do Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, que descreveu a emoção de finalmente poder ler.

“Vou continuar aprendendo, buscando mais oportunidades, abrindo janelas para adquirir mais conhecimento, né? Quero conhecer mais, aprender mais coisas”, disse timidamente, tentando esconder a felicidade.

A educanda Iná Cordeiro também ressaltou que aprender a ler e escrever é uma maneira de recuperar oportunidades que foram negadas ao longo da vida.

“Aquele tempo perdido em que não construímos nada… a alfabetização entra justamente para preencher esse vazio”, relatou ao Brasil de Fato.

A formatura ocorreu no Ginásio de Esportes Geraldo Magalhães, o Geraldão, em Recife. Foto: Cha Dafol

Além de celebrar as turmas formadas, o evento marcou o lançamento do Cadastro Único da Educação de Jovens e Adultos (CadEJA), uma ferramenta do governo federal que visa mapear a demanda por alfabetização e ampliar a oferta de turmas da EJA em todo o país.

Segundo João Pedro Stedile, da direção nacional do MST, o Brasil possui uma dívida histórica com os trabalhadores analfabetos e defende que a única maneira de superar esse obstáculo é através da formação de uma aliança estratégica entre diversos setores da sociedade.

“É essencial construir uma aliança que envolva o Estado brasileiro, que detém os recursos necessários. Devemos envolver as universidades, pois o conhecimento acumulado é fundamental. Por fim, precisamos dos movimentos sociais, sejam eles ligados à igreja, sindicatos ou ao MST. Todos os movimentos em que nosso povo se organiza são essenciais. Sem essa aliança, não conseguiremos resolver o problema”, ressaltou Stedile.