Kassab escolhe Caiado e dobra aposta na direita – Meio
Foi uma escolha previsível, porém não livre de oposição. Após a saída do governador do Paraná, Ratinho Júnior, da disputa pela Presidência da República pelo PSD, era esperado que Gilberto Kassab optasse pelo governador de Goiás, Ronaldo Caiado, em vez do governador gaúcho Eduardo Leite, apesar de um movimento em favor deste último. Conforme anunciado nesta segunda-feira, o PSD oficializou a candidatura de Caiado ao Planalto. Kassab afirmou que a seleção encerra uma fase importante de articulação interna, após avaliar vários nomes com bom desempenho em seus estados. Caiado, herdeiro de uma tradicional família pecuarista do Centro-Oeste, é médico e cumpre seu segundo mandato como governador de Goiás. Ele fundou a União Democrática Ruralista (UDR) para se opor à reforma agrária durante o governo de José Sarney e a Constituinte de 1988, e concorreu à Presidência em 1989 por outra versão do PSD. (CNN Brasil)
Logo após ser anunciado como pré-candidato à Presidência, Caiado apresentou as diretrizes de sua campanha, destacando a proposta de anistia ampla aos envolvidos no episódio de 8 de janeiro, o foco na exploração de minerais estratégicos e a luta contra o crime organizado. Além disso, Caiado criticou o PT, declarando que seu objetivo é governar de forma a reduzir a relevância do partido no país. (g1)
Por sua vez, Leite criticou a escolha. Em um vídeo nas redes sociais, afirmou que a decisão tende a acentuar a polarização política no Brasil, mantendo um ambiente de radicalismo que limita o país. Apesar de expressar decepção com a definição do partido, evitou confrontar diretamente a escolha. (Metrópoles)
Caiado é o candidato escolhido, porém sem o apoio total da legenda. Kassab permitiu que os diretórios, especialmente no Nordeste, apoiassem a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Após consultar as bases, o presidente do PSD concluiu que o governador de Goiás tinha mais chances de unir o partido do que Leite, que enfrentaria mais resistência na direita devido à sua postura crítica em relação ao bolsonarismo. (Globo)
As reações no PT à escolha de Caiado foram variadas. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, prevê que a eleição presidencial permaneça polarizada e que Caiado venha a ocupar um espaço secundário na disputa, dada a dificuldade de candidaturas fora dos polos já consolidados. Por outro lado, o presidente do PT em São Paulo, Kiko Celeguim, defendeu a possibilidade de Kassab ocupar a vice na chapa de Lula, substituindo o atual vice-presidente Geraldo Alckmin. (Folha)
Míriam Leitão: “O golpismo da direita continua sendo central na disputa eleitoral. Flávio Bolsonaro segue os passos do pai, enquanto Ronaldo Caiado propõe anistia ao ex-presidente e o apoia publicamente”. (Globo)
Eliane Cantanhêde: “O ex-senador e quase ex-governador Ronaldo Caiado pode ser caracterizado por muitos aspectos, mas não como alguém de centro. Sua candidatura à Presidência confirma a ascensão das vertentes de direita no poder, enquanto a esquerda parece se fechar em uma bolha sem perspectivas futuras”. (Estadão)
Joel Pinheiro da Fonseca: “A principal vantagem de Caiado talvez seja sua experiência de gestão e os resultados positivos de seus sete anos como governador de Goiás. Na área de segurança, um dos temas centrais da eleição, o estado registrou uma redução sustentada nos índices de violência, chegando a ser o quinto estado com menor número de homicídios no país em 2025”. (Folha)


