Programa contra inadimplência sai em 10 dias, diz Durigan
O ministro da Economia, Dario Durigan, anunciou que o governo está elaborando um novo plano para reduzir o endividamento das famílias, com previsão de lançamento em até 10 dias. Durante entrevista à jornalista Miriam Leitão, na GloboNews, na quarta-feira (1º de abril de 2026), Durigan explicou que a iniciativa tem como objetivo simplificar a renegociação de dívidas e prevenir um novo ciclo de inadimplência, visto que o endividamento está próximo do maior nível já registrado, de acordo com dados do Banco Central.
“Estamos buscando uma abordagem simplificada, de fácil acesso para que as pessoas possam renegociar suas dívidas”, afirmou o ministro. Ele destacou que o novo modelo será distinto do programa Desenrola, lançado em 2023, e envolverá negociações diretas com bancos, fintechs e empresas de crédito. “Além disso, contemplará medidas educativas em termos de educação financeira para evitar novos endividamentos”, acrescentou.
Durigan mencionou que as instituições financeiras oferecerão descontos, e em alguns casos, o governo fornecerá garantias para reduzir o risco das transações. “Não se trata de subsídios, mas de garantias para minimizar o risco dos bancos”, esclareceu.
O ministro, que assumiu o cargo após a saída de Fernando Haddad (PT-SP), ressaltou que o governo tem acompanhado de perto a questão desde o início do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que cobrou ações para enfrentar o aumento da inadimplência. Ele destacou que a ampliação do crédito e da renda contribuíram para o aumento das dívidas, mencionando que mais de 15 milhões de pessoas ingressaram no sistema bancário. “Houve aumento de renda e maior acesso ao mercado de trabalho. Isso é positivo, mas nos preocupa o nível e o padrão de endividamento atual”, enfatizou.
Quanto à possibilidade de redução do imposto sobre operações financeiras para devedores de baixa renda, Durigan informou que a medida está em análise, sem decisão tomada. “Inicialmente, não vejo com bons olhos a eliminação do IOF, mas o assunto está em discussão”, afirmou.
Em relação ao Banco de Brasília, o ministro descartou a intervenção federal, apesar do pedido da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP). Ele explicou que o banco enfrenta desafios para gerenciar uma carteira de crédito avaliada em R$ 88 bilhões. “Não haverá intervenção ou ajuda direta do governo federal”, assegurou. Durigan mencionou que Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal poderão adquirir ativos do BRB, porém em condições de mercado.
Quanto aos combustíveis, Durigan mencionou que o governo poderá adotar novas medidas para mitigar os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços. Ele apontou possíveis cortes de tributos e subsídios já implementados, incluindo gás de cozinha e querosene de aviação. “Buscaremos reduzir os efeitos do conflito, que embora distante, afeta diretamente as famílias brasileiras”, declarou. O ministro indicou que o preço do diesel será mais elevado nos estados que não aderirem à proposta de subvenção para empresas importadoras do combustível.
Em relação aos Correios, Durigan reconheceu as questões de gestão e informou que a estatal está passando por um processo de reestruturação. Ele descartou a privatização no curto prazo e defendeu parcerias com o setor privado. “Por enquanto, não consideramos a privatização, mas sim parcerias e aprimoramento de processos”, mencionou. O ministro anunciou que, após o insucesso do plano de demissão voluntária, a empresa adotará novas medidas, incluindo venda de ativos e revisão do quadro de funcionários.
Durigan defendeu a automatização da declaração do Imposto de Renda. “Nossa intenção é modernizar o processo de declaração do Imposto de Renda conforme conhecemos atualmente”, afirmou. Ele citou a liberação automática de restituições de até R$ 1.000 para aproximadamente 4 milhões de contribuintes neste ano como exemplo.
Ao abordar o cenário político, o ministro expressou o desejo de manter um diálogo contínuo com o Congresso e ressaltou a importância da democracia. Durante a entrevista, ele destacou as diferenças entre as gerações ao responder uma pergunta da jornalista Miriam Leitão, que fez menção à repressão durante a ditadura. “Eu cresci em uma geração pós-88. É estranho reviver debates que pareciam superados no país”, comentou. Para o ano de 2026, Durigan espera eleições com reconhecimento dos resultados e estabilidade institucional.
No âmbito fiscal, Durigan rebateu críticas sobre o aumento da dívida pública, atribuindo o movimento à taxa de juros. “A situação fiscal não é a responsável pelo aumento do endividamento público”, afirmou. Ele destacou a redução do déficit primário pelo governo e a eficácia do arcabouço fiscal, apesar da necessidade de ajustes.
Por fim, o ministro destacou medidas contra devedores crônicos, referindo-se a um projeto aprovado na Câmara que intensifica as punições. “Os devedores crônicos perderão o CNPJ e terão seus bens bloqueados”, informou. Ele explicou que a medida busca diferenciar aqueles que atrasam pagamentos de forma esporádica de empresas que sistematicamente deixam de cumprir com suas obrigações tributárias.


