×

IPO da Compass testa nova fonte de capital para o mercado de gás natural

IPO da Compass testa nova fonte de capital para o mercado de gás natural

IPO da Compass testa nova fonte de capital para o mercado de gás natural

PIPELINE. Compass se torna a 1ª empresa com DNA 100% gás a estrear na bolsa e testa abertura de uma nova fonte de dinheiro para um setor que vive momento de atração de capital em outras frentes.

Reforma na Bolívia tende a atrair petroleiras independentes. Petrobras sinaliza que poderá suavizar reajuste no preço do gás em agosto e que estuda ampliar fafens existentes. Aneel suspende homologação do LRCAP. Mercado livre entra em novo ciclo e mais. Confira:

Ainda não é assinante? Inscreva-se aqui

EDIÇÃO APRESENTADA POR:

A abertura do capital da Compass marca não só a volta do IPO (oferta pública inicial) na B3 depois de um hiato de quase cinco anos.

A operação, que pode movimentar até R$ 3,2 bilhões, é também um marco para o setor de gás natural – cuja abertura se deu justamente no período de jejum de IPOs na B3.

  • Pela primeira vez uma empresa com DNA 100% gás estreia na bolsa neste século;
  • o setor abriga outras companhias de capital aberto, é verdade, mas com teses de investimentos mais diversificadas (como a Eneva, por exemplo).

O IPO testa, assim, a abertura de uma nova fonte de recursos para uma indústria que vive um momento de atração de capital privado em outras frentes – em especial no negócio off-grid:  

Fora a entrada da Energisa na distribuição de gás (ESGás e Norgás); o aumento da participação do BTG de André Esteves na Eneva; e a movimentação intensa do grupo J&F em aquisições no setor de gás e energia (MGás, Fluxus, Logás etc), para citar outros movimentos de capital importantes nos últimos anos.

A seguir, a gas week analisa o que o IPO da Compass diz (ou não) sobre a capacidade do mercado de gás de atrair capital.

O IPO da Compass não representa a entrada imediata de novo capital na companhia, já que a oferta de ações foi secundária – ou seja, o dinheiro levantado vai para o caixa da Cosan, o acionista controlador.

Representa, por outro lado, a chegada de novos acionistas para a companhia e, ao fim, testa o apetite de investidores pela tese da empresa de gás, sustentada num mix entre:

  • os negócios regulados da distribuição;
  • e novas avenidas de crescimento no mercado não regulado, como a comercialização de gás no mercado livre e a distribuição de gás natural liquefeito (GNL) em pequena escala (o off grid).

Embora as ações da Compass tenham sido negociadas no preço mínimo (R$ 28), a demanda pelo IPO da companhia superou o lote inicial de ações – o que, na visão do sócio-diretor da A&M Infra, Rivaldo Moreira Neto, é um bom sinal.

“Isso mostra que o fundamento não era meramente financeiro. O mercado comprou a tese da Compass, mesmo com tudo que circunda o seu controlador [a Cosan]”, analisa.

Ele destaca que a forte presença na distribuição de gás – um negócio com previsibilidade de receitas – faz da Compass um ativo interessante. Mas que é o potencial de expansão do grupo no negócio off grid e no deslocamento de diesel na frota de veículos pesados que fortalece a tese de investimentos na Compass.

É o nicho de mercado, aliás, que atraiu o capital privado para a GNLink e VirtuGNL.

Moreira Neto não vê o IPO da Compass, portanto, como um caso isolado. O executivo acredita que o mercado de gás tem outras empresas com potencial para atrair o capital na bolsa, futuramente.

“Pode ser até que demore para vermos outro IPO no setor, mas a tese que levou ao IPO da Compass é a mesma tese de investimentos que levou o private equity a entrar no negócio de gás off grid da Virtu e GNLink”, analisa.

“A tese no mercado de gás mudou de patamar. A gente observa movimentos fortes de alocação de capital no setor que apontam para cenário de crescimento importante no mercado”, complementa.

No mercado financeiro, a percepção é de que ainda é cedo para cravar a reabertura da janela de IPOs no Brasil após o caso Compass.

A abertura do capital da companhia se deu num contexto muito específico, associado à necessidade de geração de caixa da Cosan, o acionista controlador da empresa, para fins de desalavancagem.

Isso se traduziu na escolha por uma oferta 100% secundária.

O cenário de juros altos ainda é um obstáculo aos IPOs. A taxa Selic vem de dois cortes seguidos, mas ainda se mantém num patamar elevado, de 14,50% ao ano – e o Comitê de Política Monetária (Copom) mantém o tom de cautela, devido às incertezas globais e inflação, no contexto da guerra no Oriente Médio.

Para o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, há espaço para novos IPOs no mercado brasileiro, mas o apetite do investidor ainda é baixo – a movimentação na B3 tem sido puxada por investidores estrangeiros, mas o investidor Pessoa Física ainda está muito alocado em renda fixa e os fundos de pensão têm operado com renda variável nas mínimas históricas.

“Ainda vemos poucos compradores no mercado de ações”, comentou, em entrevista à CNN Brasil Money.

Cruz, no entanto, vê sentido numa nova oferta de ações da Compass, mais para frente, e que a Cosan dilua mais a sua participação na empresa – que pode cair de 88% para até 75% ao fim do IPO neste primeiro movimento.

A Compass, segundo ele, mostra-se uma tese de investimentos interessante, com perspectivas de crescimento, receitas elevadas e alavancagem controlada.

Pesa contra a companhia, por outro lado, o risco de conflito entre a administração da empresa e seu acionista controlador – no caso, o trade-off entre novos investimentos em expansão e o pagamento de dividendos.

A Compass aposta, basicamente, três avenidas de crescimento, todas elas concentradas na Edge, seu braço de comercialização de gás:

  • Biometano
  • Distribuição de gás off grid 
  • e comercialização de gás para as térmicas do LRCAP

No primeiro trimestre, a empresa deu importantes passos operacionais, com o início da produção da Onebio, a primeira planta de biometano gerida pela Edge; e começo das operações do negócio off-grid.

“[O início das operações] nos dá oportunidade de discutir a fase 2 do projeto, que tem o viés de querer deslocar frotas de longa distância a diesel. Estamos mais aptos para discussões com acionistas [para a fase 2]”, comentou o Vice-Presidente Financeiro e de Relações com Investidores da Compass, Marcos Fernandes, na quinta-feira (14/5), durante teleconferência com analistas e investidores sobre os resultados financeiros do 1º trimestre.

O negócio off-grid e a comercialização de gás para as térmicas do LRCAP são duas frentes estratégias para que a empresa consiga ampliar a monetização do gás do Terminal de Regaseificação de São Paulo (TRSP), a principal, mas não única, fonte de suprimento de gás do portfólio da companhia.

A Edge pleiteia a conexão do TRSP à malha de gasodutos da Nova Transportadora do Sudeste (NTS), o que lhe permitirá acessar novos mercados. 

E a Compass aguarda também o desfecho, no Supremo Tribunal Federal (STF), da disputa federativa entre União e o Estado de São Paulo em torno da classificação do gasoduto Subida da Serra, da Comgás, que tem no TRSP, justamente, uma de suas fontes de suprimento.

Em tempo… Na semana em que estreou na bolsa, a Compass anunciou uma queda de 9% no lucro (para R$ 382 milhões) e de 25% na receita operacional líquida (R$ 3,16 bilhões) no primeiro trimestre; e uma alta de 2% no Ebitda (R$ 1,3 bilhão) na comparação anual.

A primeira semana na B3 foi marcada pela desvalorização das ações da companhia, que acumulou uma queda de 5,4% na bolsa – em parte, reflexo do mau humor generalizado do mercado financeiro. O Ibovespa registrou uma retração de 3,7%, a maior queda semanal desde início de março.

Reforma na Bolívia. A reabertura do setor no país vizinho, se bem sucedida, tende a atrair, num primeiro momento, petroleiras independentes regionais, e só depois despertar o interesse das majors, na visão do geólogo Ricardo Savini, CEO da Bossa Energy.

Petrobras pode suavizar reajuste. O próximo ajuste automático dos preços do gás vendido pela estatal às distribuidoras, previsto para agosto, poderá ser parcelado para aliviar os impactos da guerra do Oriente Médio, indicou a CEO da Petrobras, Magda Chambriard. É a primeira sinalização da estatal para suavizar o peso da alta global sobre o gás canalizado.

Gás no Redata. Dez frentes parlamentares e 34 entidades do setor produtivo lançaram um manifesto pedindo “prioridade e urgência” na tramitação da política de incentivos aos data centers, parada no Senado desde fevereiro. A articulação, liderada pelo Movimento Brasil Competitivo, tenta injetar gás — literalmente — no PL 278/2026. Saiba mais na diálogos da transição.

Homologação do LRCAP suspensa. A Aneel suspendeu a homologação do leilão, prevista para 21/5. O relator, diretor Fernando Mosna, disse que não vai submeter o processo à pauta da próxima reunião do colegiado, devido à judicialização do leilão  e à incerteza sobre o desfecho. (Estadão) 

  • Opinião 1: Lei do Gás e LRCAP ampliam competitividade do setor no Brasil, essencial para segurança energética, atração de data centers e reindustrialização, escrevem o senador Laércio Oliveira e o secretário executivo de Desenvolvimento Econômico de Sergipe, Marcelo Menezes. 
  • Opinião 2: Suspender ou anular o LRCAP tensiona a separação funcional entre planejamento setorial e controle político, escreve Tiago Santana, o presidente da Comissão de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da OAB/DF. 

Mercado livre entra em novo ciclo. A abertura do mercado passou da fase das grandes migrações para um domínio das migrações de indústrias de menor porte, aponta um novo relatório da Wood Mackenzie. O levantamento também mostra que a Petrobras segue líder nas vendas, mas que o mercado livre está menos concentrado.

Mais fertilizantes. A Petrobras estuda projetos para aumentar a capacidade de produção de fertilizantes em suas fafens existentes. A retomada da produção da fafen Bahia, que ocorreu no primeiro trimestre, entrou na agenda eleitoral do presidente Lula.

Novo campo no pré-sal? A estatal decidiu que desenvolverá a descoberta da área de Aram, no pré-sal da Bacia de Santos, afirmou nesta sexta (15/5) a presidente da companhia, Magda Chambriard. A Petrobras prevê pelo menos dois poços produtores até 2030. (Reuters)

Shell Brasil sob nova direção. Cristiano Pinto da Costa decidiu deixar a companhia e permanecerá no cargo até 1º de agosto, quando assumirá João Santos Rosa, atualmente presidente da Shell na Itália.

Árabes no GNL norte-americano. Abu Dhabi apoiará a construção de uma planta de liquefação de US$ 13 bilhões na Louisiana, nos Estados Unidos. O projeto terá capacidade para produzir 9,5 milhões de toneladas por ano, começará a operar em 2030 e reúne investimentos de grupos como Mubadala Energy, BlackRock e CPP Investments. (Folha)

Biometano em caminhão. A utilização de biometano no transporte pesado pode cortar pela metade as importações de diesel do Brasil em até dez anos, disse o CEO da Copersucar, Tomás Manzano, durante a divulgação do projeto BioRota, no Porto de Santos. De iniciativa da Copersucar, o projeto logístico inaugura a primeira rota sustentável com caminhões a biometano para exportação de açúcar, ligando as cidades do interior ao porto.

Créditos