Delegado ex-secretário de Assis foi quem espalhou boatos ligando a perna achada na BR-010 com o freezer furtado do Socorrão
A entrevista concedida pelo delegado regional de Imperatriz, Alex Andrade Coelho, acabou expondo que a informação ligando a perna humana encontrada na BR-010 ao freezer furtado do Hospital Municipal de Imperatriz (Socorrão) partiu da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), comandada pelo delegado Josenildo José Ferreira, ex-secretário de Educação e ex-comandante da Guarda Municipal na gestão do ex-prefeito Assis Ramos (Republicanos).
Durante a entrevista, Alex afirmou que foi procurado pela DHPP após a localização do membro humano.
“Foi feito o contato com o delegado da Homicídios. Ele contactou aqui a Delegacia Regional” – declarou.
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Na sequência, o delegado regional explicou que a suspeita inicial levantada pela Delegacia de Homicídios apontava que a perna seria proveniente do material furtado do Hospital Municipal.
“Ficou constatado pela Delegacia de Homicídios que se tratava de uma parte do corpo humano proveniente ali do Hospital Municipal” – disse Alex Andrade.
Apesar disso, o próprio delegado regional deixou claro, ao longo da entrevista, que ainda não existe confirmação oficial ou pericial sobre essa relação. Segundo ele, a Polícia Civil ainda aguarda documentos do hospital e exames técnicos para saber se realmente existe conexão entre os dois episódios.
“A gente não sabe ainda, nesse momento, se essa perna que foi encontrada fazia parte dessa situação desse furto” – afirmou.
Alex Andrade também explicou que a investigação ainda depende da relação das partes humanas armazenadas no freezer furtado e dos exames periciais que serão realizados pela polícia.
“A gente precisa fazer as relações, os exames periciais, para constatar se essa perna que foi encontrada se trata dessa situação ou não” – completou.
Até o momento, o laudo pericial sobre a origem da perna encontrada às margens da BR-010 ainda não foi divulgado oficialmente. Ou seja, não existe confirmação técnica que sustente a versão espalhada inicialmente pelo delegado Josenildo José Ferreira. Na prática, a fala antecipou um resultado que ainda depende da conclusão da perícia.
A própria entrevista do delegado regional mostra que, neste estágio da investigação, existe apenas uma linha de apuração sendo analisada pela Polícia Civil. Suspeita investigativa, porém, não é instrumento de certeza nem substitui prova pericial conclusiva.
Mesmo sem conclusão técnica, a versão passou a circular rapidamente em grupos de mensagens e nos bastidores políticos e policiais da cidade, ampliando especulações sobre o caso. A repercussão agora levanta críticas à postura do delegado Josenildo José Ferreira pela divulgação precipitada de uma hipótese ainda sem comprovação oficial da perícia.


