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Abespetro e MRE debatem exportações para Venezuela, Guiana e Suriname

Abespetro e MRE debatem exportações para Venezuela, Guiana e Suriname

Abespetro e MRE debatem exportações para Venezuela, Guiana e Suriname

A Associação Brasileira das Empresas de Bens e Serviços de Petróleo (Abespetro) está debatendo com o Ministério de Relações Exteriores (MRE) maneiras de viabilizar maiores exportações dos fornecedores da indústria de petróleo e gás brasileira para Venezuela, Guiana e Suriname. 

O presidente da Abespetro, Telmo Ghiorzi, destacou que o Brasil tem poucas relações comerciais com o Suriname e com a Namíbia, outro país que também pode ser destino das exportações brasileiras. 

Já no caso da Venezuela, uma das dificuldades é a incerteza política que o país atravessa após a invasão pelos Estados Unidos e a captura do ex-presidente, Nicolás Maduro, em janeiro. 

“Para o Brasil, interessa a Venezuela como demandante dos nossos bens e serviços da cadeira produtiva. Porém, tem uma questão política importante agora, é um país que está muito instável do ponto de vista da regulação”, disse Ghiorzi a jornalistas durante o lançamento do Caderno Abespetro 2026, na quinta-feira (14/6). 

“Tem demanda, temos nossas competências, mas tem um fator regulatório e político muito crítico na Venezuela”, acrescentou. 

Enquanto a retomada dos investimentos na indústria venezuelana ainda está em fase de análise pelas petroleiras, a Guiana e o Suriname têm investimentos crescentes nesse setor nos últimos anos. 

Segundo dados da Rystad Energy, juntos os dois países tiveram 75 poços perfurados entre 2018 e 2024, sendo 62 em áreas de nova fronteira. 

Como comparação, o Brasil recebeu 37 perfurações no mesmo período, mas nenhuma em nova fronteira. 

Na visão de Ghiorzi, os números brasileiros refletem a dificuldade em obter licenciamento ambiental para a exploração de novas áreas. 

Ele lembra que o país tem mantido uma oferta regular de blocos em leilões para exploração e produção, mas que os desafios para a liberação ambiental prejudicam o interesse das empresas no país. 

“O Brasil tem um problema aí e esse boleto está a caminho. Esse é o desafio número um”, disse, acrescentando que o atual contexto deve levar o país a voltar a ser importador líquido de petróleo na próxima década.

Ghiorzi ressaltou que esse cenário deve levar a uma queda nos investimentos e empregos nesse setor no país nos próximos anos. 

Segundo dados da associação, a indústria brasileira de petróleo e gás encerrou 2025 com 700 mil pessoas empregadas diretamente ou indiretamente. É a primeira vez que o número retornou ao patamar registrado em 2010, antes da crise causada pela Operação Lava Jato e a queda no preço do barril na década passada. 

Aumento do fator de recuperação

A ampliação da exploração em áreas de novas fronteiras e o aumento do fator de recuperação das bacias brasileiras são dois dos principais pontos defendidos pela associação na agenda bianual. 

A associação lembra que o fator de recuperação médio das bacias brasileiras é de 27%, ante 46% no Mar do Norte. 

Para Ghiorzi, algumas medidas que podem ajudar a melhorar o índice são a flexibilização das regras para tie-backs (conexões de novas reservas a plataformas existentes) e a redução dos royalties para a produção em campos maduros. 

A associação acompanha, ainda, a tramitação dos projetos de lei que criam um marco legal para a atividade do descomissionamento e as iniciativas que visam alterar as regras de conteúdo local, criando bonificações para índices de contratação nacional acima do percentual mínimo.

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