Prefeito bolsonarista conhecido por provocações passa vergonha ao ser cobrado por livros sem uso
O prefeito bolsonarista Abílio Brunini ao lado do conselheiro do Tribuinal de Contas Sérgio Ricardo, em Cuiabá (MT). Reprodução
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), passou por uma saia justa nesta sexta-feira (29) durante uma inspeção do Tribunal de Contas de Mato Grosso no almoxarifado da Secretaria Municipal de Educação. Na presença dele, o presidente do TCE-MT, Sérgio Ricardo, cobrou explicações da Prefeitura sobre a compra de livros de educação financeira encontrados no local.
Segundo a atual administração, a rede municipal de Cuiabá não possui educação financeira como disciplina prevista na grade curricular. A constatação levantou dúvidas sobre a aquisição do material e sobre a destinação dos livros comprados na gestão anterior.
Os materiais teriam sido adquiridos durante a gestão do ex-secretário municipal de Educação Amauri Monge. A visita técnica faz parte do acompanhamento do TCE-MT sobre estoques da educação municipal e materiais armazenados sem utilização definida.
Abílio Brunini passando vergonha e tomando esporro é o melhor vídeo do dia! pic.twitter.com/2LVd6mkZaD
— Andrade (@AndradeRNegro2) May 29, 2026
A fiscalização ocorreu um dia após Amauri acusar a gestão de Abilio de usar recursos da Educação para maquiar as contas públicas do município. Em sessão na Câmara de Cuiabá, o ex-secretário afirmou que mais de R$ 100 milhões da pasta teriam sido remanejados para cobrir outras despesas da prefeitura.
Abilio, por sua vez, acusa Amauri de suposto desvio de R$ 80 milhões em contratos da Secretaria de Educação para compra de livros. O prefeito afirma que algumas unidades teriam custado R$ 800.
A disputa ampliou a tensão política entre a atual gestão e a antiga condução da Secretaria Municipal de Educação. O TCE-MT acompanha o caso e apura a situação dos materiais encontrados no estoque da pasta.
Antes de chegar à Prefeitura de Cuiabá, Abilio Brunini ficou conhecido no Congresso Nacional por tumultuar sessões e provocar parlamentares de esquerda, especialmente mulheres. Como deputado federal, acumulou episódios de bate-boca, interrupções e acusações de quebra de decoro, em confrontos que tiveram como alvo frequente deputadas de esquerda e opositoras do bolsonarismo.


