Mulher de Pedro Sánchez será julgada por júri na Espanha
Begoña Gómez, esposa do primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez. Foto: Reprodução
O Tribunal Superior de Madri decidiu nesta quinta-feira (16) que Begoña Gómez, esposa do primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, será julgada por um júri popular sob acusações de tráfico de influência e peculato.
A decisão manteve a maior parte do processo contra Gómez, que se declara inocente, e impôs novo desgaste ao governo espanhol, atingido nos últimos meses por investigações de corrupção e escândalos envolvendo pessoas próximas ao premiê socialista.
A defesa havia recorrido para tentar retirar as acusações e derrubar medidas impostas no mês passado por um tribunal de primeira instância. Os promotores públicos também pediram o arquivamento das acusações.
O tribunal retirou uma terceira acusação, de corrupção empresarial, e revogou restrições que impediam Gómez de deixar o país, obrigavam seu comparecimento regular à Justiça e exigiam a entrega de seu passaporte.
As acusações partiram de uma denúncia apresentada por grupos de direita, que afirmam que Gómez teria usado sua condição de esposa do primeiro-ministro para obter contratos de trabalho.
O gabinete de Pedro Sánchez reagiu à decisão e defendeu a inocência de Gómez. “Begoña Gómez é inocente”, afirmou o comunicado divulgado nesta quinta-feira (16).
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez e sua esposa Begoña Gómez. Foto: Divulgação
“Qualquer pessoa familiarizada com a investigação sabe que este é um caso com motivação política, decorrente de uma falsa alegação feita por uma organização de direita, baseada em notícias falsas, e cuja única motivação é assediar e perseguir a esposa do primeiro-ministro”, disse o gabinete.
Sánchez já havia defendido publicamente sua família e chegou a considerar brevemente a possibilidade de renunciar em abril de 2024, depois que o juiz de instrução Juan Carlos Peinado abriu a investigação contra sua esposa.
A decisão confirmou que Gómez responderá diante de um júri popular, procedimento reservado na Espanha a um grupo limitado de crimes, entre eles o tráfico de influência.
Dados do Conselho Geral do Poder Judiciário da Espanha indicam que os júris proferem sentenças condenatórias na maioria dos casos: as taxas ficaram em torno de 90% na última década e chegaram a cerca de 89,5% em 2024.
Pelo Código Penal espanhol, o tráfico de influência praticado por particular pode levar a pena de seis meses a dois anos de prisão. O desvio de fundos pode chegar a oito anos de prisão em casos agravados.
No início da semana, um tribunal condenou o irmão de Pedro Sánchez por má conduta administrativa e o proibiu de exercer cargos públicos por nove anos.


