Ex-prefeito bolsonarista mata a ex com tiro na nuca e comete suicídio em negociação sobre divórcio
Romildo e Léia Veloso. Foto: reprodução
A empresária Icicléia Alves Veloso, de 41 anos, conhecida como Léia, foi assassinada pelo ex-prefeito de Ourilândia do Norte, no Pará, o bolsonarista Romildo Veloso e Silva (PP), de 69 anos, durante uma reunião em um escritório de advocacia da cidade para tratar detalhes do divórcio.
O feminicídio foi confirmado à Folha pela Polícia Civil, que teve acesso a imagens gravadas na sala onde o ex-casal estava no momento do crime, ocorrido na quarta-feira (3). Romildo, que também era médico e atualmente exercia mandato de vereador, teria cometido suicídio em seguida.
Segundo a investigação, Léia estava sentada em uma cadeira do escritório quando foi atingida. O corpo do ex-prefeito foi encontrado no banheiro do estabelecimento. A empresária chegou a ser socorrida e levada para a UTI do Hospital Regional da PA-279, mas não resistiu e morreu na tarde de quinta-feira (4).
Conhecido como Dr. Veloso, Romildo era um dos pioneiros de Ourilândia do Norte. Ele exerceu quatro mandatos como prefeito antes de ser eleito vereador em 2024 pelo Progressistas, partido presidido pelo senador Ciro Nogueira. O ex-casal tinha dois filhos adolescentes.
Léia Veloso, ex-primeira-dama de Ourilândia do Norte. Foto: reprodução
De acordo com o delegado Elioenai de Jesus, as imagens analisadas pela polícia mostram que o ex-prefeito fez um único disparo ao ficar sozinho com a empresária em uma das salas do escritório. O investigador afirmou que o casal não chegou a discutir antes do crime e que há indícios de premeditação.
A Prefeitura de Ourilândia decretou luto oficial de três dias pela morte do ex-prefeito e divulgou duas notas separadas lamentando as mortes. Romildo foi velado na Maçonaria de Ourilândia do Norte.
O caso ocorre em meio ao aumento da preocupação com a violência contra mulheres no país. Segundo dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, 3.642 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2024. O número corresponde a uma taxa de 3,4 mortes a cada 100 mil mulheres.
Os dados fazem parte da nova edição do Atlas da Violência, estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública divulgado no mês passado.
A Lei do Feminicídio alterou o Código Penal e passou a tipificar esse crime no Brasil em 9 de março de 2015. A legislação enquadra assassinatos de mulheres em contextos de violência doméstica, familiar ou motivados por misoginia.


