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PF quer pedir quebra de sigilo de fundo que financia ‘Dark Horse’

PF quer pedir quebra de sigilo de fundo que financia ‘Dark Horse’

PF quer pedir quebra de sigilo de fundo que financia ‘Dark Horse’

Por José Marques e Raquel Lopes

(Folhapress) – A Polícia Federal (PF) pretende pedir aos Estados Unidos a quebra de sigilo do fundo que recebeu dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro sob a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo a Folha apurou, uma das desconfianças na PF é de que esses recursos bancaram despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos EUA, onde ele vive desde fevereiro de 2025, e também o que se vê como tentativa de coação de autoridades brasileiras por meio da gestão Donald Trump.

Recursos da Entre Investimentos e Participações, empresa ligada ao dono do Banco Master, teriam sido direcionados a esse fundo no Texas para o alegado patrocínio.

O fundo Havengate Development Fund, que teria recebido parte dos R$ 61 milhões para financiamento da obra, é administrado por Paulo Calixto, advogado ligado a Eduardo.

Para que haja a quebra de sigilo, é necessária a cooperação das autoridades locais com a Polícia Federal e a autorização da Justiça dos Estados Unidos.

A PF também pretende usar a Difusão Prata da Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal) nessa e em outras investigações relacionadas ao Master. Diferente da Difusão Vermelha, que foca a localização de foragidos, ela tem como finalidade identificar, localizar e reter o patrimônio de pessoas investigadas.

O Brasil é um dos 53 países que já aderiram à iniciativa, de um total de 196 que compõem a Interpol.

Em entrevista à GloboNews na terça-feira (2), o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, disse ver necessidade de instaurar um inquérito que apure o envio de recursos de Vorcaro aos EUA sob a justificativa de financiar ‘Dark Horse’.

Ele afirmou, na entrevista, que nas últimas semanas a PF analisou representações encaminhadas ao órgão e, depois, enviou uma delas para que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre o conteúdo, o foro adequado e quem seria o relator do processo.

Eduardo Bolsonaro . (Foto: Arquivo Pessoal/Flickr)

Questionado se esse seria um inquérito à parte das demais apurações que tratam do Master, ele respondeu: “No entendimento da nossa área técnica, sim”.

Andrei disse que vê três caminhos para essas investigações: o primeiro é que elas sejam agregadas ao caso do Master, que estão sob a relatoria de André Mendonça, no STF (Supremo Tribunal Federal).

Outro caminho é que elas fiquem sob a relatoria de Alexandre de Moraes, que conduz investigação sobre as ações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

No último dia 26, Moraes pediu que a PGR se manifeste sobre a inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (ambos do PL) no inquérito que apura a atuação de Eduardo.

Uma terceira possibilidade, diz o diretor-geral, é que elas sejam distribuídas livremente, por sorteio, a outro integrante do Supremo.

O pedido de quebra de sigilo seria feito depois que a PF eventualmente obtivesse o aval do STF para a abertura de novo inquérito.

A PF pretende entender se os recursos —que teriam sido enviados a pedido do dono do Master— foram, de fato, usados para financiar o filme ou se uma parte serviu para custear a vida de Eduardo no país, para onde ele se mudou alegando perseguição de Alexandre de Moraes.

O ex-parlamentar já se queixou de contas bancárias bloqueadas, inclusive de sua mulher.

Eduardo foi para os EUA no ano passado. Ele é réu no STF em uma ação sob acusação do crime de coação, que tem a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

O fundo americano foi criado em dezembro de 2020. No Instagram do escritório de advocacia, uma foto mostra Eduardo abraçado a Calixto em 2023, evidenciando a proximidade entre os dois.

Nas redes, Calixto se apresenta como especialista em imigração, com mais de 20 anos de experiência na área e passagens pelo serviço americano de cidadania e imigração e pelo Departamento de Estado.

Quando foi revelado, pelo site Intercept Brasil, o financiamento de “Dark Horse” com recursos de Vorcaro, Flávio Bolsonaro disse em nota que era “falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro”.

“Os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.” Calixto não tem se manifestado.

 

 

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