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Fotógrafa carioca questiona ‘cromofobia’ e neutralidade em ensaio-manifesto clicado nas areias do Arpoador

Fotógrafa carioca questiona ‘cromofobia’ e neutralidade em ensaio-manifesto clicado nas areias do Arpoador

Fotógrafa carioca questiona ‘cromofobia’ e neutralidade em ensaio-manifesto clicado nas areias do Arpoador

Na volta de uma viagem pela colorida Ilha do Marajó, no Pará, no início do ano, a fotógrafa carioca Marcella Saraceni, de 33 anos, trouxe na bagagem a vontade de criar um ensaio-manifesto contra a onipresença do nude. Para ela, muita gente está com cromofobia, ou seja, o medo de usar a cor, como se apenas tons terrosos ou bege fossem considerados elegantes, do vestir à casa.

“O Brasil é camada sobre camada. Textura, mistura, improviso, calor. Vejo que muita gente está com cromofobia. Mas, no Marajó, usam os tons fortes de maneira autêntica em todos os aspectos da vida”, afirma. “Passamos a aderir ao minimalismo como se só isso fosse elegante.”

Formada em Fotojornalismo e Letras, ela tem uma carreira marcada por ensaios poéticos, em que utiliza a imagem como pura forma de expressão. De câmera em punho, com um fundo colorido e o Arpoador como cenário, clicou o ensaio que colore estas páginas. Para a fotógrafa carioca Bá Rosalinski, seu olhar atento reflete um movimento: “Ela materializa uma percepção de sociedade”, comenta.

Especialista no estudo da cor, Thalita Carvalho, da plataforma de decoração Casa de Colorir, conta que ouviu o termo “cromofobia” pela primeira vez há dois anos, ao conhecer o livro de David Batchelor. “Critico o ‘bege do medo’, adotado por insegurança. Há diferenças entre ‘neutro ativo’ e ‘neutro passivo’: o problema é o segundo”, destaca.

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