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O caminho da Raízen para aprovar o maior plano de recuperação extrajudicial do país | Empresas

O caminho da Raízen para aprovar o maior plano de recuperação extrajudicial do país | Empresas

O caminho da Raízen para aprovar o maior plano de recuperação extrajudicial do país | Empresas

No maior plano de recuperação extrajudicial da história do país, com dívida a serem reestruturadas de R$ 65 bilhões, a Raízen conseguiu chegar a um acordo com seus credores, perto do limite do prazo para a homologação do plano na Justiça, em uma negociação repleta de idas e vindas. Ao final, conseguiu adesão de cerca de 75% dos credores, em um plano que vai tornar o grupo em controlador da empresa.

O acordo com os credores ocorreu após semanas de embates entre a empresa, seus acionistas (Shell e Cosan dividem o controle da companhia) e seus credores, um grupo muito diverso e com ampla presença de dívidas oriundas de mercado de capitais, incluindo um grupo pulverizado de “crazistas” (detentores dos Certificados de Recebíveis Agrícolas) pessoas físicas.

Com um pedido de recuperação extrajudicial feito em meados de março, a Raízen tinha até o dia 8 de junho, ou seja, próxima segunda-feira, para homologar o plano. Pela legislação, é preciso para um acordo ao menos 50% dos credores deem o sinal verde, para que o restante seja dragado para o mesmo plano. No final, a companhia conseguiu aprovação com ampla maioria.

A negociação foi tensa e envolveu diversos assessores financeiros e escritórios de advocacia. A busca foi de evitar uma recuperação judicial.

No início das negociações, os credores bateram o pé e pediram para os acionistas uma aporte de ao menos R$ 25 bilhões na empresa, mas a Shell se mostrou em todo o processo irredutível e em nenhum momento sinalizou que aumentaria o valor do aporte, que acabou permanecendo em R$ 3,5 bilhões.

A conversão de 45% da dívida da companhia em participação acionária no início foi rechaçada, mas rapidamente houve um consenso entre o grupo de credores de que essa medida seria necessária. Na conversão, o valor de referência ficou em R$ 0,25 por ação.

A Cosan, desde o início das conversas, disse que não participaria do aumento de capital. A empresa controlada por Rubens Ometto também tem estado focada em sua desalavancagem. A decisão de ficar de fora, porém, ocorreu após a Shell rechaçar uma proposta elaborada pelo BTG (acionista da Cosan).

Ometto, contudo, se comprometeu com um aporte de R$ 500 milhões, por meio de sua holding Aguassanta. No entanto, esse dinheiro pode não entrar. O empresário ainda não tomou a decisão, apurou o Valor. Ao longo das negociações, Ometto condicionou sua participação com a manutenção de sua cadeira de presidente do conselho de administração da Raízen, o que não foi aceito pelos credores. Esse foi um dos principais pontos que rodeou parte relevante das negociações.

Sem um aporte próximo ao desejado pelos credores, a venda dos ativos na Argentina, fechada no fim da semana, foi ainda crucial. A companhia, após meses de negociação, fechou a venda para a suíça Mercuria, por US$ 1,4 bilhão.

Segundo o comunicado pela empresa, Ometto seguirá à frente do colegiado ao menos até o fechamento da transação, prevista para o primeiro trimestre de 2027. Depois disso, o conselho será alterado, com o credores indicado quatro de um total de sete membros.

Em um momento crítico das negociações, os credores da dívida externa (“bondholders”) chegaram a se retirar da mesa, insatisfeitos com as condições das dívidas remanescentes (os 55% que não serão convertidos em ações). A Raízen chegou a cogitar a possibilidade de tenta aprovar sem esse grupo, algo que tornaria mais desafiador o processo e com uma probabilidade da falta de acordo empurrar a empresa para uma recuperação judicial. No fim, a empresa ajustou de forma discreta as taxas da dívida remanescente, passando de 7,5% para 8%, apurou o Valor, o que trouxe os boldholders de volta para as conversas.

No final, a Raízen será dividida até o fim do ano que vem, com a Raizen Energia ficando com as operações de etanol, açúcar e bioenergia. A Raízen Combustíveis concentrará os negócios de distribuição. A proposta inicial do BTG previa essa cisão da empresa.

Com os credores ficando, após o processo, com o controle da companhia, uma possibilidade é que os bancos repassem a participação acionária para gestoras especializadas. Esse tem sido o caminho nos processos em que há conversão de dívida em ações. Foi assim em Casas Bahia e mais recentemente na Braskem, com a gestora IG4 que acaba de assumir o controle da gigante petroquímica.

— Foto: Victor Moriyama/Bloomberg

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