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A pergunta do Mansur: após a primeira rodada, a que distância o Brasil está das favoritas?

A pergunta do Mansur: após a primeira rodada, a que distância o Brasil está das favoritas?

A pergunta do Mansur: após a primeira rodada, a que distância o Brasil está das favoritas?

Há uma forma de sintetizar a diferença entre o Brasil e as seleções que, ao menos no papel, são as principais potências da Copa do Mundo: os rivais são times com alguns defeitos; a seleção brasileira tem uma série de defeitos, justamente por não ter um time formado. E a primeira rodada serviu para deixar isso muito claro.

Dito assim, parece uma distância intransponível, um problema sem solução num torneio que, em um mês, estará encerrado. Mas o mundo real é diferente. Há quatro anos, tudo o que se pensava das finalistas Argentina e França após a primeira rodada valeu muito pouco na reta decisiva. E numa competição com cinco fases de mata-mata em jogo único, basta um jogo em que os defeitos de cada time sejam explorados para que o preço seja a eliminação.

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Mas o caminho brasileiro para o título parece ter menos atalhos do que os de seus rivais. O time de Ancelotti se prepara para o jogo de hoje, com o Haiti, com dúvidas que vão além da escalação: envolvem questões estruturais. Danilo deve assumir a lateral direita, mas será dele a função de cobrir todo o corredor, defender e atacar? Não parece a vocação do jogador do Flamengo. Então, a possível entrada de Luiz Henrique servirá para dividir funções por ali? Pode ser a ideia, mas seria uma guinada no funcionamento do lado direito brasileiro, usando lições do segundo tempo contra o Marrocos.

No centro, a possível entrada de Matheus Cunha implica em muitas mudanças. Talvez seja ele, e não Raphinha, o responsável por defender por ali para poupar Vinícius Júnior. Se Paquetá realmente sair, Cunha deverá ser o homem a compor o meio-campo quando o Brasil atacar. É uma característica muito diferente. Ou seja, são muitas mudanças estruturais importantes. O drama brasileiro é ser um time que está em formação em plena Copa. Os adversários até podem estar em busca de corrigir defeitos, mas o fazem a partir de estruturas já montadas. Ancelotti até poderia ter feito mais avanços com o time. Mas, a favor dele, pesa o fato de que boa parte dos erros foram cometidos pela CBF antes de sua chegada. O italiano herdou uma corrida contra o tempo.

A Alemanha é fortíssima com bola, mas tenta lidar com problemas defensivos quando a perde. Algo que apareceu mesmo contra um rival mais frágil como Curaçao. Já a Inglaterra, que foi excelente na estreia, mostrou que tem em Thomas Tuchel uma das mentes táticas mais aguçadas da Copa. No intervalo do jogo com a Croácia, moveu a posição do lateral esquerdo O’Reilly, dificultou os encaixes de marcação adversária e criou espaços explorados com fartura. Seu trabalho nem é tão mais longo do que o de Ancelotti, mas os nove meses de diferença lhe dão uma estrutura mais sólida.

Já a Argentina não é somente um time de estilo muito diferente do Brasil. Ela tem como traço o que os brasileiros ainda parecem longe de adquirir: identidade. Em oito anos, Scaloni criou um time que seria reconhecível até sem uniforme, com suas aproximações, toques curtos, tabelas, meias ditando o jogo. Por outro lado, não há tantas opções de velocidade e, defensivamente, falta agressividade em muitos momentos.

Já a França sabe que é fortíssima se gerar espaços para seus atacantes correrem. Mas pode sofrer mais contra defesas fechadas. No intervalo da estreia, Deschamps, com seus 14 anos de trabalho, mexeu a posição do lateral Koundé e criou iscas para que seus atacantes pudessem acelerar.

Já a Espanha, que desapontou contra Cabo Verde, é fortíssima coletivamente. Mas precisa muito que Lamine Yamal e Nico Williams reencontrem a melhor forma física após lesões para ter agressividade.

Ganhar do Haiti é o mínimo que o Brasil espera hoje. Sair com a sensação de que a seleção reduziu distâncias seria outra vitória.

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