Augusto Mafuz: Paraná voltando à Vila Olímpica. E a Vila Capanema como fica?
Uma questão que começa a despertar interesse nesse reinício do Paraná: o destino do Estádio Durival Britto e Silva, conhecido como Vila Capanema.
Não foi uma nem duas vezes que Pedro Weber, CEO da NextPlay, que recebeu quase de graça a empresa que gere o futebol do clube, afirmou: “A Vila Olímpica é o lar do Paraná”.
Agora, foi o treinador Tcheco que, de forma ingênua, falando em nome do dono, comentou: “É um desejo de todos, em algum momento, jogar na Vila Olímpica”.
No contrato que transfere o controle de 90% das ações da empresa que gere o futebol, não há qualquer restrição para que a NextPlay possa realizar a alienação — venda, hipoteca ou alienação fiduciária — dos bens patrimoniais do clube. Isso inclui os direitos sobre a Vila Capanema.
Recentemente, alguns clubes que ocupam imóveis da União e estão discutindo a titularidade, como o Paraná, receberam uma proposta: pagariam um valor mensal pelo uso do imóvel e teriam prioridade para comprá-lo. Isso foi o que o Santos fez com um imóvel que foi dado como garantia para a dívida de R$ 100 milhões do Neymar.
Pela proposta, o clube teria a opção de adquirir o título de propriedade por cerca de R$ 65 milhões. O Paraná não aceitou devido à incapacidade de pagar a mensalidade de aproximadamente R$ 200 mil. Uma avaliação recente indicou que o valor de mercado do imóvel é de R$ 210 milhões.
Considerando que: (a) a NextPlay foi transparente com os Conselhos do Paraná ao informar que o investimento terá que ser obtido no mercado financeiro através da venda de bens do clube; e (b) os direitos sobre o imóvel do Estádio Durival Britto e Silva podem ser negociados, o que acontecerá com a Vila Capanema?
Dessa forma, como será preservada a memória afetiva daqueles que testemunharam as defesas de Régis, os lançamentos de Ricardinho e os gols históricos de Saulo?

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