Além da dupla Sampaio e Moto: os times do interior e outros esportes que movimentam o Maranhão
O futebol maranhense vai muito além de Sampaio Corrêa, Moto Club e Imperatriz. O interior do estado respira esporte com uma constelação de clubes tradicionais que, mesmo com orçamentos modestos, mantêm viva a chama do esporte em suas regiões. Times como Pinheiro Atlético, Cordino (de Barra do Corda), Santa Quitéria, Bacabal, Chapadinha e IAPE formam a espinha dorsal do futebol do Maranhão e seguem revelando talentos e movimentando a economia local.
O Pinheiro Atlético Clube, fundado em 2011, é um dos times mais organizados do interior. A equipe da Baixada Maranhense virou celeiro de jogadores e já revelou atletas que hoje atuam em clubes das séries A e B do Brasileirão. Em 2025, o Pinheiro fez campanha histórica no Campeonato Maranhense, chegando às semifinais e jogando de igual para igual com a dupla Sampaio e Moto. A torcida pinheirense, conhecida como a “Fúria Azul”, lota o Estádio Miguel Costa nos dias de jogos, provando que a paixão pelo esporte não se limita à capital.
Já o Cordino Esporte Clube, de Barra do Corda, completa 25 anos de história em 2026. O time do centro-sul do estado tem como maior feito o título do Campeonato Maranhense da Segunda Divisão em 2022, conquistado após uma arrancada memorável. O Cordino aposta na base e mantém um projeto social que atende mais de 200 crianças carentes da região, usando o esporte como ferramenta de inclusão social.
Na capital, o esporte não se resume à bolinha. O futsal maranhense vive um momento de ouro. O Maranhão Futsal, equipe sediada em São Luís, disputa a Liga Nacional de Futsal e, em 2026, briga por uma vaga nas quartas de final. Com patrocínio da iniciativa privada e apoio da Federação Maranhense de Futsal, a equipe tem se destacado pela base formada nas escolinhas dos bairros. Jogadores como Rafa Mota, natural de Caxias, e Dillan, formado no projeto social do bairro Cidade Operária, são nomes que começam a ecoar no cenário nacional.
No judô, o Maranhão segue produzindo atletas de alto nível. A Federação Maranhense de Judô promoveu em agosto de 2026 a Copa São Luís de Judô, com mais de 400 atletas de todo o estado. A competição, realizada no Ginásio do Castelinho, revelou novos talentos para os Jogos Escolares Brasileiros. Destaque para a judoca maranhense Beatriz Mendes, de Imperatriz, que conquistou medalha de bronze no Campeonato Brasileiro Sub-21 deste ano e é vista como promessa para as Olimpíadas de Los Angeles 2028.
O jiu-jitsu maranhense, por sua vez, vive fase de expansão. Academias como Gracie Barra São Luís, Alliance Imperatriz e CheckMat Caxias levam o nome do estado para competições nacionais e internacionais. Em setembro de 2026, atletas maranhenses participaram do Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu, em São Paulo, com destaque para o faixa-preta Thiago “Maranhão”, de Bacabal, que conquistou o bicampeonato na categoria peso-pesado.
No atletismo, o Maranhão tem tradição de longa data. Corredores de rua de São Luís, Imperatriz e Caxias mantêm viva a chama das provas populares. A Maratona Internacional de São Luís, realizada todo mês de julho, já virou calendário obrigatório para atletas de todo o Nordeste. Neste ano, o maranhense Carlos Henrique, do projeto Atletas do Futuro (São José do Ribamar), venceu a prova dos 10 km com o tempo de 31 minutos e 12 segundos, melhor marca pessoal.
O MMA maranhense também merece destaque. Lutadores como “Ribamar”, que compete no Jungle Fight, e a peso-galo Maria Eduarda “Juju”, de São Luís, têm colocado o estado no mapa das artes marciais mistas. O Jungle Fight Maranhão, evento realizado em agosto de 2026 no Ginásio Costa Rodrigues, levou mais de 4 mil pessoas e movimentou a economia local com a vinda de lutadores de todo o Brasil.
No vôlei, a seleção maranhense sub-21 feminina conquistou em 2026 o bronze nos Jogos do Nordeste, realizados em Fortaleza. A equipe, formada majoritariamente por atletas de escolas públicas de São Luís e Pinheiro, mostrou que o esporte pode ser caminho de superação e transformação social quando há investimento e incentivo.
O esporte amador e de base no Maranhão precisa de mais apoio. Enquanto os grandes clubes da capital concentram a atenção da mídia e dos patrocinadores, os pequenos times do interior e os atletas de outras modalidades lutam contra a falta de estrutura e recursos. Mesmo assim, seguem firme, mantendo vivo o espírito esportivo do estado.
Porque, no fim das contas, esporte no Maranhão não é só Sampaio, Moto e bola. É futsal, é judô, é atletismo, é jiu-jitsu. É a garotada treinando no interior sonhando com um dia melhor. E isso merece palco e respeito.
O Ludovico



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