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Maranhão conquista dois lugares no Prêmio TOP 100 de Artesanato

Maranhão conquista dois lugares no Prêmio TOP 100 de Artesanato

Maranhão conquista dois lugares no Prêmio TOP 100 de Artesanato

O artesanato maranhense conquistou dois lugares no Prêmio Sebrae Top 100 de Artesanato, o mais cobiçado reconhecimento da área, com a tradicional Renda de Bilro da Raposa, da Associação das Rendeiras da Praia da Raposa, e a Cerâmica Vitrificada de São Luís, de José Carlos Martins. Nesta 6ª edição, 51 artesãos e grupos do estado se inscreveram para concorrer ao reconhecimento nacional.

Por trás da conquista deste ano, estão histórias diferentes, mas que têm em comum a força da tradição, a criatividade e a capacidade de transformar cultura em trabalho e renda. Para Darly Menezes, presidente da Associação das Rendeiras da Praia da Raposa, a renda de bilro não começou como negócio. Antes de se transformar em fonte de renda e representar o município em uma premiação nacional, era algo que já fazia parte da vida da artesã.

A técnica chegou até Darly como herança da família. Ela cresceu vendo a avó e a mãe produzirem as rendas e, mais tarde, passou a observar também as mulheres da associação. Foi acompanhando aquele movimento que o interesse despertou. Aprendeu a técnica, desenvolveu novas peças e passou a compartilhar o conhecimento em oficinas.

A tradição, que atravessa gerações na Raposa, também ganhou novos caminhos com o acompanhamento do Sebrae. Darly conta que as orientações ajudaram a associação a avançar não apenas na produção, mas também na gestão do trabalho. Precificação, organização, criação de novos produtos, acompanhamento do mercado e divulgação passaram a fazer parte da rotina.

Para ela, esse processo foi importante para que a tradição pudesse continuar viva sem ficar restrita às peças produzidas no passado. A associação mantém os modelos tradicionais, mas também cria produtos diferentes para alcançar novos consumidores e mercados.

O reconhecimento nacional representa uma confirmação de que um saber tradicional pode continuar encontrando espaço no presente.

Darly Menezes, presidente da Associação das Rendeiras da Praia da Raposa, apresenta uma das peças produzidas com renda de bilro. O trabalho da associação está entre os reconhecidos no Prêmio Sebrae TO

“É uma sensação indescritível, é muito, muito orgulho. A gente sabe que a concorrência foi grande, que tinham muitos artesãos participando, e conseguir colocar a Associação das Rendeiras da Praia da Raposa entre os 100 melhores artesanatos do Brasil é uma felicidade muito grande. Isso também dá mais vontade de continuar, de melhorar e de permanecer no TOP 100”, afirma Darly.

Um recomeço moldado no barro – Em São Luís, a história de José Carlos Martins também é marcada por reinvenção. Há mais de 35 anos trabalhando com cerâmica, o artesão conta que precisou recomeçar em determinado momento da vida e encontrou no artesanato uma forma de reconstruir o caminho profissional.

O que começou como uma atividade quase terapêutica foi ganhando estrutura e se transformou em negócio. Hoje,o ateliê reúne espaços para diferentes etapas da produção, como preparação do barro, desenho e pintura, além da área dos fornos elétricos.

O trabalho também é profundamente ligado ao Maranhão e encontra na cultura popular uma fonte constante de criação. “Eu fui aprendendo o artesanato como se fosse um presente que eu recebi e fui aperfeiçoando. Primeiro o desenho, depois as peças de cerâmica, os moldes, e hoje a gente trabalha também com a barbotina. E eu gosto muito de trazer as coisas do Maranhão para o meu trabalho, como o cazumbá, a máscara do fofão, os azulejos e o bumba meu boi”, prossegue explicando o artesão.

Hoje, a produção alcança diferentes públicos. Além dos turistas que procuram peças como lembrança do Maranhão, José Carlos também atende consumidores interessados em decoração e utilidades. Panelas, tigelas, pratos e personagens da cultura popular fazem parte do repertório do ateliê.

O reconhecimento no TOP 100, para ele, chega como resultado de um trabalho coletivo. José Carlos faz questão de dividir a conquista com as pessoas que participam diariamente da produção.

A expectativa é que a premiação amplie a visibilidade do trabalho e aproxime novos clientes, mas também desperte o interesse de pessoas que queiram aprender a técnica e seguir o mesmo caminho. “Eu quero que esse reconhecimento traga mais visibilidade para o nosso trabalho, que as pessoas tenham interesse em conhecer e comprar nossas peças, mas também que outras pessoas tenham vontade de aprender. Eu quero que outras pessoas também abram seus ateliês para poder trabalhar com a arte. A gente não é eterno, então precisa deixar esse conhecimento para outras pessoas”, reforça o artesão.

Rendeiras da Praia da Raposa trabalham na produção da renda de bilro, técnica artesanal transmitida entre gerações e reconhecida nacionalmente 

Da tradição ao mercado – As duas histórias mostram diferentes caminhos para um mesmo desafio: transformar o conhecimento artesanal em uma atividade capaz de se sustentar, alcançar novos públicos e continuar valorizando a identidade do território.

É nesse processo que entra o trabalho do Sebrae Maranhão. Para Flávia Nadler, gestora estadual de Turismo e Artesanato do Sebrae Maranhão, a presença dos artesãos maranhenses entre os vencedores coloca o estado em um ranking nacional de excelência e amplia as possibilidades de mercado para quem vive do artesanato.

“O Prêmio Sebrae TOP 100 de Artesanato é uma iniciativa do Sebrae em âmbito nacional, e ocorre agora na sua 6ª edição. Mais uma vez, nós temos artesãos maranhenses sendo reconhecidos. E isso é de grande valia, uma vez que a gente passa a figurar em um ranking de excelência do artesanato, um ranking nacional. Isso também incentiva, valoriza a nossa cultura, estimula a inovação e também traz oportunidades concretas de negócios”, ressalta a gestora.

Segundo Flávia Nadler, o apoio do Sebrae passa por diferentes etapas da atividade. “O Sebrae Maranhão apoia os artesãos por meio das nossas diversas soluções, que vão desde as orientações sobre como empreender, sobre como se formalizar, o aprimoramento de seus produtos e serviços, no que tange a layout, precificação, digitalização, como vender na internet, assim como também a parte de mercado, promoção e divulgação dos seus produtos.”, explica ela.

 

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