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Ministério da Fazenda apresenta na Câmara medidas contra bets ilegais

Ministério da Fazenda apresenta na Câmara medidas contra bets ilegais

Ministério da Fazenda apresenta na Câmara medidas contra apostas ilegais

Debate ocorreu na Comissão Externa sobre os Atos de Pirataria e a Agenda do “Brasil Legal” – Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

A Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda afirmou ter intensificado o combate às apostas ilegais durante a audiência da Comissão Externa da Câmara dos Deputados sobre Atos de Pirataria, realizada nesta terça-feira (11).

No Brasil, as apostas de cota fixa são permitidas desde 2018 pela Lei 13.756/18. Em 2023, a Lei das Apostas criou novos mecanismos de controle pelo Estado.

O subsecretário de Monitoramento e Fiscalização, Carlos Renato Resende, mencionou que o controle iniciou de forma manual em janeiro do ano passado. A partir de outubro, o bloqueio de sites ilegais passou a ser automatizado.

Carlos Renato Resende informou que mais de 60 mil sites foram bloqueados.

“Em nenhum lugar do mundo um mercado ilegal foi eliminado. No Brasil, temos outros mercados vulneráveis à pirataria, e a dificuldade é a mesma.”

Conforme o subsecretário, a Lei Antifacção e de Combate ao Crime Organizado também estabeleceu mecanismos para evitar que apostas ilegais sejam utilizadas para lavagem de dinheiro.

O Ministério da Fazenda está em contato com o Sistema Financeiro Nacional para estabelecer novas diretrizes. A previsão mencionada na audiência foi de divulgação até o início de agosto.

Carlos Renato Resende também anunciou novas medidas para bloquear recursos de empresas ilegais e compensar vítimas de fraudes.

“Quando esse dinheiro for bloqueado, o consumidor lesado poderá se apresentar e comprovar que parte desse montante é seu, para ser ressarcido. Ao final do processo, se a pessoa jurídica não conseguir comprovar a origem legal do dinheiro, os recursos serão confiscados em favor do Estado brasileiro e destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, para o combate à criminalidade em geral.”

Recomendações do TCU

Parte dessas ações está presente nas recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU), conforme o Acórdão 1296/26, aprovado em maio.

O secretário de Controle Externo de Governança do TCU, Wesley Vaz, defendeu ações conjuntas entre o Ministério da Fazenda, o Banco Central, a Receita Federal, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e a Polícia Federal.

“Há necessidade de o Estado aprimorar o bloqueio de domínios, interromper os fluxos financeiros e punir os operadores ilegais.”

Julio Lopes: redução do mercado ilegal, embora pequena, deve ser celebrada – Foto: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Mercado ilegal

Pesquisa do Instituto Locomotiva, divulgada nesta terça-feira, revela que as apostas ilegais representam entre 38% e 41% do mercado brasileiro.

O diretor da LCA Consultoria, Eric Brasil, mencionou que houve redução em comparação com o levantamento anterior, que indicava participação de 41% a 51%.

“Isso representa, de forma simples, uma diminuição de 11% no mercado ilegal. Boa notícia: o mercado ilegal parece estar em declínio. Qual é a preocupação? Ao compararmos com outras jurisdições, outros países, ainda temos um mercado ilegal considerável.”

O coordenador da comissão, deputado Julio Lopes (PP-RJ), também analisou o resultado.

“Apesar de uma redução ainda modesta, é um motivo para celebração. Qualquer avanço no combate à irregularidade, ao contrabando, à pirataria e à sonegação deve ser reconhecido.”

A pesquisa do Instituto Locomotiva foi conduzida em maio, com 2.291 pessoas em todo o país, e divulgada nesta terça-feira.

A Irlanda apresenta a menor taxa de participação de apostas ilegais no mercado, com 3%. Mesmo com a diminuição, o Brasil ainda está atrás de diversos países europeus, além da Austrália, com 15%, e do México, com 20%.

Controle das apostas legalizadas

O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) listou os mecanismos de controle presentes nas apostas legalizadas:

  • pagamentos rastreáveis;
  • verificação do apostador por biometria facial;
  • proibição de apostas por menores de 18 anos;
  • pagamento de impostos;
  • prevenção à lavagem de dinheiro por meio de controles internos;
  • denúncia de operações suspeitas.

Riscos para os apostadores

A diretora do Laboratório de Direitos Humanos e Novas Tecnologias (Labsul), Letícia Ferraz, alertou que a falta de controle das apostas está associada a endividamento excessivo, problemas psiquiátricos e até tentativas de suicídio.

O laboratório lançará uma cartilha educativa focada na proteção dos apostadores e dos consumidores em geral.